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Menina de 14 anos de Alagoas quebra barreira histórica na maior olimpíada de matemática do país

Lília Fernanda, aluna do Colégio Tiradentes em Arapiraca, virou a primeira garota alagoana a acumular dois ouros seguidos na OBMEP — e ainda garantiu vaga para representar o Brasil no exterior.

Redação ChicoSabeTudo
24 de junho, 2026 · 18:51 3 min de leitura
Estudante Lília Fernanda Sousa Costa, medalhista de ouro na OBMEP 2025, representante do Brasil no PAGMO
Estudante Lília Fernanda Sousa Costa, medalhista de ouro na OBMEP 2025, representante do Brasil no PAGMO

Uma adolescente de Alagoas escreveu seu nome na história da educação pública brasileira. Lília Fernanda Sousa Costa, de apenas 14 anos, brilhou ao se tornar a primeira alagoana a conquistar duas medalhas de ouro consecutivas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). O feito é inédito para o estado e reforça a presença feminina nas Ciências Exatas.

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A conquista mais recente foi celebrada na noite de segunda-feira (22), durante a cerimônia nacional de premiação da 20ª edição da OBMEP, realizada no Hotel Windsor Oceânico, no Rio de Janeiro. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou da solenidade, ao lado do ministro da Educação, Leonardo Barchini, da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere.

A premiação envolveu 684 estudantes de diferentes estados, dos quais oito eram de Alagoas. Na rede estadual de ensino, até então, só estudantes do sexo masculino haviam conseguido essa façanha. Lília, aluna do Colégio Tiradentes da Polícia Militar, unidade Agreste, destacou-se não apenas pela conquista, mas pelo simbolismo de sua vitória para a presença feminina nas Ciências Exatas.

Em 2025, a estudante alcançou a maior pontuação entre os participantes do Nível 2 da OBMEP em Alagoas, categoria destinada aos estudantes do 8º e 9º anos do Ensino Fundamental. No cenário nacional, figurou na 45ª posição entre os 200 medalhistas de ouro do nível. Para se ter ideia do grau de dificuldade, segundo a coordenação estadual da OBMEP, 1 em cada 340 alunos conquista uma Menção Honrosa; 1 em 2.770, o bronze; 1 em 9.000, a prata e 1 em 36.000, o ouro.

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Com 14 anos, Lília é aluna do 9º ano do Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Arapiraca, e mora em Limoeiro de Anadia, no Agreste alagoano. Na Olimpíada Alagoana de Matemática (OAM), Lília também alcançou dois ouros consecutivos, obtendo a maior nota de sua categoria. A dedicação da estudante vai além da matemática: ela também conquistou ouro nas olimpíadas brasileiras de Língua Inglesa (OBLI) e de Geopolítica (OBGP), além de prata na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA).

A projeção de Lília ganhou dimensão internacional neste ano. O resultado veio após um rigoroso processo seletivo nacional, que reuniu as 40 melhores estudantes do país. Lília conquistou o 3º lugar geral e garantiu uma das quatro vagas da equipe brasileira que representará o país na Colômbia. A composição da equipe também chama atenção para a força do Nordeste: das quatro estudantes selecionadas para representar o país, três são nordestinas — Letícia Dias Damasceno, do Ceará; Júlia Barros Soares, do Piauí; e a alagoana Lília Fernanda. A quarta integrante é Marina Nogueira D'Emidio, de São Paulo.

Ao todo, 21 estudantes da rede estadual alagoana conquistaram medalhas na esfera nacional da competição, sendo uma de ouro, duas de prata e 18 de bronze. A rede estadual ainda alcançou 142 menções honrosas, totalizando 163 estudantes premiados nacionalmente. O desempenho inclui também o reconhecimento de dois professores e quatro escolas da rede. Na etapa estadual da olimpíada, foram conquistadas 70 medalhas: quatro de ouro, 19 de prata e 47 de bronze.

Promovida pelo IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) desde 2005, a celebração da 20ª edição marcou duas décadas da maior olimpíada científica do país. A OBMEP reúne anualmente mais de 18,3 milhões de estudantes do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio e acontece em 99,9% dos municípios brasileiros. A iniciativa contribui para que muitos premiados sejam convidados a integrar o Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC), que oferece aulas avançadas de matemática e bolsa de R$ 300, concedida pelo CNPq aos estudantes de escolas públicas.

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