O Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em Maceió, segue nadando contra a corrente. Num cenário marcado por readequação de malhas aéreas, aumento de custos operacionais e ajustes de rotas pelas companhias em todo o Brasil, a capital alagoana acumula números que chamam atenção no setor.
Segundo dados da Aena Brasil, responsável pela administração do terminal, em abril de 2026 foram registrados 114.441 desembarques nacionais e internacionais — frente aos 109.692 do mesmo mês em 2025, uma alta de 4,3%. Já em maio, a movimentação chegou a 114.867 passageiros, superando os 108.518 de maio do ano anterior e representando crescimento de aproximadamente 5,9%.
No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o aeroporto recebeu 642.948 passageiros desembarcando em Maceió, considerando voos nacionais e internacionais, de acordo com informações divulgadas pela Aena Brasil.
Os números de abril e maio reforçam uma trajetória que já vinha se desenhando desde o início do ano. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos, mostram que o aeroporto registrou aumento de 11,46% na movimentação de passageiros no primeiro trimestre de 2026, somando 436,8 mil entre embarques e desembarques.
O desempenho acompanha o avanço do setor aéreo no Nordeste, que apresentou crescimento de 12,86% — índice superior à média nacional, que ficou em 8,95%. Ou seja, a região puxa o ritmo do país, e Maceió aparece como um dos principais vetores desse movimento.
O turismo internacional também dá salto expressivo. Dados da Embratur analisados pela Secretaria de Estado do Turismo de Alagoas (Setur) revelam aumento de 108% no fluxo de passageiros internacionais no aeroporto nos primeiros quatro meses de 2026. No total, 18.458 estrangeiros desembarcaram em Alagoas entre janeiro e abril deste ano, em contraste com os 8.846 visitantes contabilizados em 2025.
Entre as novas operações internacionais, está a rota inédita entre Rosário, na Argentina, e Maceió, com nove voos realizados entre janeiro e fevereiro. O aeroporto também recebeu voos vindos de Montevidéu durante a Semana Santa, além de operações de Córdoba, Buenos Aires e Lisboa.
Segundo o secretário de Estado do Turismo, Paulo Kugelmas, o aumento no fluxo de passageiros está relacionado às ações de promoção do destino e à ampliação da malha aérea internacional.
A alta temporada de verão, o Carnaval, a ampliação da malha aérea e o fortalecimento da promoção turística são apontados como fatores determinantes para o aumento do fluxo de visitantes.
O cenário coloca Maceió num patamar de destaque dentro do Nordeste. Entre os principais aeroportos da região, Recife liderou a movimentação no primeiro trimestre, com 1,38 milhão de passageiros, seguido por Salvador, com 1,13 milhão, e Fortaleza, com 807 mil passageiros. O aeroporto alagoano aparece como um dos que mais crescem percentualmente na comparação com 2025, mesmo com volume total menor que os três líderes.
Para quem mora na região do São Francisco, a notícia importa além do turismo: o aquecimento do setor aéreo em Maceió tem reflexo direto na mobilidade e nos negócios de toda a região Nordeste, incluindo o interior baiano e alagoano, que depende de conexões pela capital para acessar voos domésticos e internacionais.







