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IPS Brasil 2026: Nordeste concentra capitais com menor qualidade de vida — e Salvador também está na lista

Maceió ficou na 25ª posição entre as 27 capitais avaliadas; Salvador aparece como a quarta pior do país, e Bahia ocupa a 22ª colocação no ranking estadual

Redação ChicoSabeTudoRedação · Municipios
23 de maio, 2026 · 08:57 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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Um retrato desconfortável do Nordeste brasileiro foi publicado nesta semana. O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, divulgado na quarta-feira (20), colocou Maceió e Salvador entre as capitais com menor qualidade de vida do país. Para quem vive na região do São Francisco, os dados confirmam uma realidade sentida no dia a dia — e mostram que o problema vai além de uma cidade ou de um estado.

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O IPS Brasil avaliou os 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e ambientais. O país alcançou pontuação média de 63,40 em uma escala de 0 a 100. O índice não mede riqueza ou investimento público: o IPS mede se a infraestrutura ou os recursos estão trazendo resultados para as pessoas.

Entre os menores resultados entre as capitais estão Salvador (BA), com 62,18, Maceió (AL), com 61,96, Macapá (AP), com 59,65, e Porto Velho (RO), com 58,59. A diferença entre a capital mais bem colocada e a última ultrapassa 12 pontos, evidenciando a variação nos níveis de progresso social entre as capitais brasileiras.

Curitiba (PR) lidera com 71,29 pontos, seguida por Brasília (DF), com 70,73, e São Paulo (SP), com 70,64. No Nordeste, João Pessoa aparece como a capital com melhor desempenho regional, na nona posição nacional. Maceió ficou na 25ª posição entre as 27 capitais, à frente apenas de Macapá e Porto Velho, segundo informações divulgadas pelo portal Cada Minuto.

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A divulgação colocou a Bahia entre os estados com pior desempenho em qualidade de vida. No ranking nacional das unidades federativas, o estado apareceu na 22ª colocação, com média de 58,72 pontos — bem abaixo da média brasileira de 63,4. Cidades do interior e da Região Metropolitana de Salvador apresentaram resultados mais positivos entre os 417 municípios baianos, evidenciando fortes desigualdades regionais dentro do próprio estado.

No semiárido baiano, a situação é heterogênea. No território do Semiárido Nordeste II, os resultados mostram diferenças importantes entre os municípios. Entre os melhores desempenhos da região destacam-se Paripiranga (61,06), Fátima (60,15) e Sítio do Quinto (60,01). Já entre os piores resultados regionais aparecem Santa Brígida, Nova Soure, Ribeira do Amparo e Pedro Alexandre. Este último registrou o menor IPS da região, com 50,14 pontos, ocupando a 415ª posição entre os 417 municípios baianos.

A dimensão Oportunidades, que engloba liberdades pessoais e ensino superior, teve o pior desempenho geral, com média de 46,82. Os pontos mais críticos foram Direitos Individuais (39,14), Acesso à Educação Superior (45,97) e Inclusão Social (47,22). Esta última categoria vem registrando queda desde 2024, refletindo a baixa representatividade política de negros e mulheres em câmaras municipais, a violência contra minorias e o aumento da população em situação de rua.

A coordenadora do IPS Brasil, Melissa Wilm, reconhece que o problema de inclusão social é universal entre as capitais. "Apesar do bom desempenho das capitais, todas apresentam sérias dificuldades no componente de inclusão social, com altos índices de violência contra minorias, famílias em situação de rua e baixa paridade de gênero e raça nas câmaras municipais."

A concentração de bem-estar é evidente na distribuição geográfica: 18 das 20 cidades com as melhores pontuações estão localizadas nas regiões Sul e Sudeste. No extremo oposto, 19 dos 20 municípios com os piores índices concentram-se no Norte e Nordeste. Apesar do cenário crítico, há sinais de avanço: entre 2025 e 2026, 754 municípios avançaram para grupos de melhor desempenho, enquanto o número de cidades nas faixas mais baixas foi reduzido em 500 municípios.

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