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FIV no Baixo São Francisco: biotecnologia dobra adesão de pecuaristas familiares em Porto Real do Colégio

Programa do Sebrae Alagoas já investiu mais de R$ 100 mil e subsidia 80% dos custos da técnica, com projeção de triplicar a produção de leite por animal nas propriedades atendidas.

Redação ChicoSabeTudo
29 de junho, 2026 · 12:15 3 min de leitura
Produtor rural observa bezerra recém-nascida em pequena propriedade leiteira no Baixo São Francisco
Produtor rural observa bezerra recém-nascida em pequena propriedade leiteira no Baixo São Francisco

Uma tecnologia antes restrita a grandes fazendas está mudando a realidade de pequenos produtores de leite no município alagoano de Porto Real do Colégio, no Baixo São Francisco. O programa de melhoramento genético do Sebrae, baseado em fertilização in vitro (FIV), apresentou resultados expressivos desde seu lançamento: o número de pecuaristas que aderiram à iniciativa cresceu 63,33% após o sucesso da primeira rodada, realizada em junho de 2025, de acordo com informações divulgadas pela assessoria do programa.

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O avanço não parou aí. Na segunda FIV, realizada em fevereiro de 2026, o volume de transferência de embriões saltou 176,67% em relação à etapa anterior. Os números consolidam a viabilidade técnica da biotecnologia reprodutiva para agricultores familiares que, até então, dependiam apenas de métodos tradicionais de reprodução animal.

O que tornou isso possível foi, principalmente, o modelo de subsídio adotado pelo Sebrae Alagoas. A instituição já investiu mais de R$ 100 mil no programa e cobre 80% dos custos da FIV para até seis prenhezes por propriedade. Além disso, os produtores recebem 70% de ajuda de custo nas capacitações sobre boas práticas de manejo, segundo a mesma fonte.

O impacto esperado na produtividade é significativo. Animais que hoje produzem entre 7 e 10 litros de leite por dia devem gerar descendentes capazes de alcançar de 15 a 25 litros diários — um ganho que pode transformar a lógica econômica das pequenas propriedades rurais da região. Experiências similares em outros estados confirmam esse potencial: no Ceará, a produção média de pequenos produtores, estimada em 6,6 litros por vaca, passou a variar entre 20 e 30 litros após a adoção da tecnologia.

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O diretor técnico do Sebrae Alagoas, Keylle Lima, apresentou os resultados durante painel no NEON 2026 e destacou o alcance territorial da ação. Segundo ele, o trabalho no Baixo São Francisco já atrai indústrias interessadas em captar leite na região, beneficiando diretamente o produtor familiar, que "sem o apoio do Sebrae dificilmente teria acesso a essas inovações", conforme declaração reproduzida pela assessoria.

Para o secretário municipal de Agricultura de Porto Real do Colégio, Sidney Nery, a genética é apenas um dos pilares. Ele defende que cada nascimento de bezerra resultado da FIV representa um passo concreto rumo a um campo mais produtivo, e ressalta que o manejo nutricional e sanitário precisa acompanhar o avanço genético para que o potencial das futuras matrizes seja plenamente aproveitado. O governo municipal, segundo Nery, articula junto ao Sebrae a realização de um seminário com especialistas e visitas técnicas para orientar os produtores nesse processo.

O superintendente do Sebrae Alagoas, Domício Silva, também destacou que o caso de Porto Real do Colégio serve de referência estadual. "Investir na agricultura familiar é investir no futuro da economia de Alagoas", disse, de acordo com informações da assessoria do programa. A afirmação se alinha a um movimento nacional: a Estratégia Nacional para Desenvolvimento da Cadeia do Leite tem como objetivo aumentar a produtividade, qualidade e competitividade da produção, prevendo entre suas ações a melhoria genética do rebanho por meio da transferência de embriões.

O projeto em Porto Real do Colégio nasceu da Semana do Produtor Rural de 2024, quando o Sebrae mapeou as principais demandas locais: aumento de produtividade, gestão, crédito e acesso a tecnologias. Dois anos depois, os números mostram que a aposta na biotecnologia reprodutiva começou a dar frutos — e que a pecuária familiar do Baixo São Francisco está em ritmo acelerado de transformação.

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