O inverno que começou neste domingo (21) na Bahia deve ser mais quente do que o normal e agravar a seca no semiárido. A causa é a formação do El Niño, fenômeno que aquece de forma anormal as águas do Oceano Pacífico e altera o clima em todo o país. As principais agências de meteorologia já consideram quase certa a presença do fenômeno nos próximos meses.
Segundo nota técnica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Inpe, a chance de El Niño no trimestre de junho a agosto passa de 98%. Em maio, a temperatura do mar na região de referência do fenômeno, no Pacífico, ficou 0,9°C acima da média — acima do limite de 0,5°C que marca a transição para o El Niño.
Na prática, o fenômeno tende a elevar as temperaturas e a reduzir as chuvas no Norte e no interior do Nordeste. Na Bahia, as áreas mais expostas são o norte e o oeste do estado, com ondas de calor e queda no nível dos corpos d'água, onde a estiagem já preocupa. O calor acima da média aumenta a perda de água por evaporação e pressiona o pasto e o rebanho, com risco de redução em reservatórios importantes, como o de Sobradinho.
O meteorologista Humberto Barbosa, do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lápis), aponta que a tendência é de chuvas abaixo da média e temperaturas mais altas, principalmente na porção norte da região. Ele ressalta, porém, que o El Niño sozinho não é sinônimo de seca no Nordeste: é preciso observar também o aquecimento do Oceano Atlântico, na costa brasileira, que pode amenizar ou agravar o quadro.
A previsão é de que o El Niño ganhe força ao longo do inverno e possa se estender até o verão de 2026-2027, com risco de ser um dos episódios mais intensos já registrados desde 1950. Produtores rurais do sertão são orientados a acompanhar o balanço de água no solo e antecipar reservas de água e de alimento para o gado, reduzindo o impacto nos meses mais secos do ano.







