O Curuzu, bairro tradicional de Salvador, na Bahia, tem um futuro promissor pela frente, se depender da visão de Paulo Rogério Nunes, cofundador da Vale do Dendê. Durante as celebrações do Carnaval, ele defendeu a ideia de transformar a região em um vibrante distrito cultural e um importante polo de empreendedorismo liderado por pessoas negras.
A proposta, que busca dar um novo fôlego ao bairro, não é recente. Paulo Rogério contou que a estruturação dessa iniciativa começou lá em 2018, com a apresentação de um projeto ambicioso ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O objetivo principal era focar na urbanização e, claro, fortalecer ainda mais a identidade cultural do Curuzu, que já é tão rica e presente na história da cidade.
A inspiração para essa transformação veio de longe, de um lugar com uma história de resistência e superação semelhante: Soweto, na África do Sul. “Nós fizemos uma proposta para transformar o Curuzu em um distrito cultural baseado na memória e na força da comunidade. Eu me inspirei em um projeto que vi em Soweto, na África do Sul, com pousadas, bares, restaurantes e espaços temáticos da cultura negra. Aqui o potencial é muito maior do que o que vemos hoje”, explicou Paulo Rogério, destacando o vasto potencial inexplorado do Curuzu.
Mesmo com os avanços estruturais que o poder público já realizou na região, Paulo Rogério acredita que há muito mais a ser feito. O Curuzu tem tudo para atrair ainda mais investimentos, movimentar o turismo e ver o florescer de muitos negócios liderados por empreendedores negros. “Quem dera a gente possa ter ainda mais negócios sendo atraídos para cá. O Curuzu já é cantado nas músicas, mas pode se tornar também um grande centro de oportunidades”, completou ele, reforçando a crença no potencial econômico e social do bairro.
Vale do Dendê Leva o Carnaval da Bahia ao Mundo
À frente da Vale do Dendê, um centro de inovação localizado no coração do Pelourinho, Paulo Rogério Nunes também aproveitou para comentar as diversas ações que a organização promoveu durante o Carnaval. Um dos destaques foi o Camarote Vale do Dendê, que ofereceu acesso gratuito e uma programação dedicada à economia criativa, mostrando a força e a diversidade cultural da Bahia.
O Camarote não foi apenas um ponto de encontro local, mas uma ponte para o mundo. “Nós somos um hub para startups e empresas criativas no coração do Pelourinho. No camarote, estamos transmitindo o Carnaval da Bahia para cinco países africanos, como Angola, Moçambique e Cabo Verde, em parceria com a TVE Bahia. É uma forma de mostrar a força do nosso Carnaval para o mundo”, disse Paulo Rogério, orgulhoso da iniciativa que levou a energia e a cultura baiana para um público global, fortalecendo laços entre culturas e promovendo o talento local.







