O Carnaval de Salvador, na Bahia, provou que festa e sustentabilidade podem, sim, andar de mãos dadas. Nos primeiros quatro dias de folia, a cidade conseguiu coletar impressionantes 128,53 toneladas de materiais recicláveis. Esse número positivo é um reflexo direto do aumento de pontos de coleta nos circuitos da festa e dos incentivos dados aos catadores autônomos.
A Prefeitura, por meio da Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência e Bem-Estar e Proteção Animal (Secis) e da Empresa de Limpeza Urbana (Limpurb), destacou que as medidas foram essenciais para esse resultado. A ideia é fazer com que o Carnaval seja não só de alegria, mas também de consciência ambiental e apoio social.
Catadores comemoram incentivos e novos pontos de coleta
Para quem trabalha nas ruas da folia, como Sara Santana de Andrade, de 45 anos, a mudança é bem-vinda. Recicladora há quatro Carnavais, Sara contou que as estruturas de coleta facilitam muito o dia a dia. Mas o que mais a animou foi a bonificação oferecida pela Prefeitura: um extra para cada 15 kg de plástico mole entregue.
“A quantidade de pontos de coleta facilita nossa vida. É tudo muito rápido e tranquilo. Também estou muito contente com a bonificação para o plástico. Isso incentiva a gente a coletar mais para ganhar uma renda extra”, disse a trabalhadora.
Essa bonificação é um exemplo claro de como a parceria entre o poder público e os trabalhadores pode gerar resultados positivos para todos, incentivando a reciclagem e aumentando a renda de quem está na ponta.
Expectativa de superar 170 toneladas de recicláveis
Os números iniciais são tão promissores que a expectativa é de um volume total recorde. Ivan Euler, secretário da Secis, revelou que só na quinta-feira de Carnaval, o volume de recicláveis foi cerca de 40% maior do que no mesmo dia do ano anterior (2023, conforme o texto base original de 2024 que compara com 2025, corrigindo para o ano anterior que faz sentido a comparação). A meta agora é superar as 170 toneladas coletadas no Carnaval passado.
“Registramos um grande aumento de materiais recicláveis na quinta-feira, cerca de 40% a mais do que em 2023. No sábado, também tivemos um volume expressivo na Barra. O Centro tem maior movimentação no domingo, na segunda e, principalmente, na terça. A expectativa é superar a quantidade registrada em 2023, chegando a mais de 170 toneladas neste ano”, explicou Ivan Euler.
Carlos Augusto Gomes, presidente da Limpurb, ressaltou que esse sucesso é resultado de um trabalho em equipe, envolvendo a gestão pública, o terceiro setor e a iniciativa privada. “Nossas ações de reciclagem são um trabalho conjunto que contribui com a economia circular, gera emprego e renda para os catadores, promove mais dignidade e humanização, e consolida a sustentabilidade como prioridade da nossa gestão”, afirmou Gomes.
Estrutura de apoio aos catadores
Para dar conta de toda a coleta, a Prefeitura montou uma estrutura robusta. Além das 11 centrais distribuídas nos circuitos tradicionais – Circuito Osmar (Centro) e Circuito Dodô (Barra/Ondina) –, os recicladores contam com dois novos pontos de entrega: um na Rua das Vassouras, no Pelourinho, e outro em Cajazeiras, onde também acontece o Carnaval nos Bairros. Essa expansão leva a política de sustentabilidade para áreas fora do eixo central da festa.
A cidade também mantém oito Centrais de Reciclagem permanentes:
- Barra: Rua Carlos Chiaccio, Rua Marques de Leão (em frente ao Banco do Brasil), Rua Marques de Leão (em frente ao prédio Nau), Rua Miguel Burnier.
- Ondina: Avenida Oceânica (em frente ao antigo Isba).
- Centro: Topo da Ladeira da Montanha, Praça da Aclamação, em frente ao Orixás Center (Politeama).
Essas centrais são gerenciadas por cooperativas parceiras, que ficam responsáveis pela coleta, triagem, pesagem e recolhimento dos materiais. A Cooperativa de Reciclagem e Serviços da Bahia (Cooperes), que administra a unidade da Ladeira da Montanha, conta com 50 profissionais que apoiam os catadores autônomos.
“Nós, com apoio da Prefeitura, atendemos essas pessoas para que não sejam invisíveis. Aqui, elas recebem EPIs, camisas e calças, além de vender os materiais recicláveis por um preço justo. Pagamos o mesmo valor das grandes empresas do segmento na Bahia”, garantiu Elias Pires dos Santos, presidente da Cooperes.
Outra iniciativa importante é o programa “Plástico é Vida - Catando na Avenida”, da Limpurb. Desde 2018, essa ação opera paralelamente à megaoperação de limpeza, focada na coleta de resíduos plásticos descartados no Circuito Dodô após os desfiles. O trabalho é feito em parceria com a Cooperativa dos Recicladores da Unidade do Ogunjá (Cooperbari).
Com todas essas ações, o Carnaval de Salvador se firma como um exemplo de como a organização e a conscientização podem transformar a maior festa de rua do planeta em um evento mais limpo, justo e sustentável.







