As exportações da Bahia fecharam o ano de 2025 com uma queda de 3,2% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 11,52 bilhões. Apesar desse recuo, a balança comercial do estado se manteve positiva, com um saldo de US$ 2,21 bilhões. Os dados foram analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), um órgão da Secretaria de Planejamento (Seplan), com base nas informações da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Essa diminuição nas vendas para o exterior reflete um cenário internacional complicado, marcado por incertezas econômicas e por uma série de fatores que pressionaram os preços dos produtos baianos no mercado global.
Cenário global desfavorável impacta vendas externas
A principal razão para a queda no valor das exportações foi a redução de 5,4% nos preços médios dos produtos. Esse movimento é um reflexo direto de um cenário mundial turbulento. Aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos a vários países, a desaceleração da economia global e, por consequência, a diminuição dos preços das commodities, que são a base do que a Bahia mais vende, foram cruciais.
As tensões comerciais entre EUA e China também contribuíram para um ambiente de maior cautela em investimentos e consumo, afetando a demanda global. Além disso, a valorização do real frente ao dólar e o aumento dos custos de produção, como os impostos pelo "tarifaço" americano que chegou a 50% e durou cerca de quatro meses, apertaram ainda mais a situação para os exportadores da Bahia.
Setores em destaque: Agropecuária e extrativa resistem
Mesmo com as dificuldades, alguns setores mostraram força. A boa notícia é que o volume de produtos embarcados reagiu no último trimestre de 2025 e fechou o ano com um crescimento de 2,3%. Isso aconteceu graças, principalmente, à safra agrícola e ao aumento de 2,4% nos embarques para a China, em especial de soja. As vendas de soja para o país asiático, por exemplo, cresceram 10,1%, impulsionadas pelo boicote chinês à soja dos EUA.
O setor agropecuário apresentou um crescimento de 1,1% no volume e 1,2% no valor exportado. A soja e seus derivados alcançaram um recorde de 6,98 milhões de toneladas exportadas, com um aumento de 2,3% em relação a 2024. Mesmo com uma queda média de 8,7% nos preços, a receita foi recorde, chegando a US$ 2,77 bilhões. O algodão também bateu recordes, com US$ 935,8 milhões em valor e 590,2 mil toneladas em volume, crescimentos de 6,1% e 20,4%, respectivamente. O cacau e seus derivados (US$ 549,3 milhões) e o café e especiarias (US$ 493,8 milhões) também tiveram recordes de vendas, beneficiados pela alta dos preços internacionais.
A indústria extrativa também teve um bom desempenho, com um aumento de 1,1% no valor e um crescimento impressionante de 66% no volume de embarques. O grande destaque foi o minério de ferro, que cresceu 864%, seguido pela magnesita (+10,6%) e minério de níquel (+5,8%).
Por outro lado, a indústria de transformação teve um recuo de 6% no valor exportado, somando US$ 6,8 bilhões. Isso se deu pela redução dos preços em setores como derivados de petróleo, produtos químicos, papel e celulose, e metalurgia, além de uma queda de 1,3% no volume embarcado.
China lidera destinos, EUA sentem o impacto das tarifas
A China continuou sendo o principal destino das exportações baianas, comprando 28,4% do total, o que representa US$ 3,27 bilhões. Apesar do volume embarcado para a China ter crescido 11,1%, a queda nos preços fez com que o valor total exportado para o país diminuísse 2,8%.
Já as exportações para os Estados Unidos caíram 7,1%, somando US$ 819,4 milhões. Essa queda foi diretamente impactada pelo aumento de tarifas, afetando vendas de pneus, frutas, produtos químicos, minerais, pescado e calçados. Mesmo assim, o volume total de produtos embarcados para os EUA cresceu 15,7%, puxado por itens que não foram afetados pelas tarifas, como celulose e derivados de petróleo.
Importações baianas recuam, mas consumo e investimentos crescem
As importações da Bahia também diminuíram em 2025, somando US$ 9,31 bilhões, uma queda de 12,8% em relação ao ano anterior. A corrente de comércio do estado, que é a soma de exportações e importações, alcançou US$ 20,83 bilhões, um recuo de 7,8%.
Essa redução nas importações foi influenciada principalmente pela queda de 41,7% nas compras de combustíveis, como petróleo cru, nafta, querosene e óleo diesel. Enquanto os bens intermediários, que representam 57% da pauta de importação, ficaram praticamente estáveis, os bens de capital tiveram um crescimento de cerca de 60%, mostrando que a Bahia investiu mais em equipamentos para infraestrutura e projetos industriais de longo prazo. As compras de bens de consumo, por sua vez, dispararam, chegando a US$ 445 milhões e um aumento de 175,2%, impulsionadas por veículos, calçados (especialmente esportivos), além de bacalhau, azeite e vinhos.
Entre os fornecedores, os Estados Unidos continuaram na liderança, com 28,4% das importações, mesmo com uma queda de 6,8% nos valores. A China subiu para a segunda posição, com importações de US$ 1,6 bilhão, um aumento de 58,4%, puxadas por veículos, fertilizantes, células fotovoltaicas, máquinas e equipamentos. A Costa do Marfim ficou em terceiro lugar, fornecendo US$ 551 milhões, principalmente de cacau em grão, que manteve preços altos em 2025. A Rússia, por sua vez, teve uma queda de 50,4% nas vendas para a Bahia, devido à redução nas compras de diesel e nafta, mas ainda se manteve como o principal fornecedor de fertilizantes para o estado, com US$ 230,7 milhões em compras.







