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Após susto no ferry, baiano desabafa: "Pago caro e recebo banheiro sujo, fila sem fim e descaso"

Um dia depois do princípio de incêndio no ferry Ivete Sangalo, um passageiro gravou vídeo nas redes sociais denunciando problemas estruturais crônicos do serviço: pistas esburacadas, banheiros precários e esperas que chegam a 12 horas.

Redação ChicoSabeTudo
05 de julho, 2026 · 11:08 3 min de leitura
Ferry-boat Ivete Sangalo na travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica
Ferry-boat Ivete Sangalo na travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica

O princípio de incêndio registrado na noite de sexta-feira (3) no ferry-boat Ivete Sangalo, durante a travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica, abriu uma ferida antiga. No dia seguinte ao susto, um passageiro chamado Joab Araújo usou o Instagram para listar, em vídeo, os problemas cotidianos do serviço gerido pela concessionária Internacional Travessias Salvador (ITS) — e o conteúdo rapidamente ganhou repercussão nas redes.

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"Está na hora da gente falar do ferry-boat de Salvador porque eu me recuso a achar que é normal", disse Araújo, que acumula mais de três mil seguidores na plataforma. Segundo ele, quem usa o serviço com carro pode pagar cerca de R$ 150 pela travessia e ainda assim se deparar com pistas esburacadas, banheiros sujos e entupidos, filas intermináveis e um atendimento que, nas palavras dele, faz o passageiro "se sentir implorando favor".

O relato mais impactante foi sobre as filas. Segundo informações divulgadas pelo próprio Joab, ele já ficou enfileirado das 18h até as 6h da manhã para conseguir completar uma travessia que dura menos de uma hora. Doze horas de espera para cruzar a Baía de Todos-os-Santos.

A situação não é nova. Cerca de 20 mil passageiros e 3 mil veículos utilizam o serviço diariamente, mas a estrutura do sistema raramente acompanha essa demanda. Em inspeção realizada no Terminal Marítimo de São Joaquim e nas embarcações, o Ministério Público da Bahia identificou uma série de irregularidades — incluindo a constatação de que o terminal não possui certificado de licença do Corpo de Bombeiros, com o projeto de incêndio e pânico reprovado pela corporação desde 2018.

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As tarifas subiram, mas as melhorias não vieram. O reajuste aprovado em 2025 foi autorizado sem promessa de melhorias por parte da ITS, empresa responsável pela operação. O descontentamento havia crescido justamente porque a população enxergou o aumento de preço sem contrapartida visível na qualidade do serviço.

O contexto do vídeo de Joab é o incidente de sexta à noite. Um princípio de incêndio foi registrado no Ferry-Boat Ivete Sangalo durante a travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica, com o fogo tendo começado em um quadro elétrico da embarcação. A tripulação iniciou o combate às chamas com extintores e, em seguida, controlou a situação com água. Todos os passageiros foram retirados da área afetada e não houve registro de feridos.

Em nota, a ITS confirmou a ocorrência e informou que o princípio de incêndio foi rapidamente controlado. O barco retornou ao Terminal São Joaquim e todos os passageiros foram encaminhados para o Ferry Zumbi dos Palmares para seguir viagem. As causas ainda estão sob investigação da concessionária.

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O episódio também gerou reação política. O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, criticou a situação do sistema e cobrou do governador Jerônimo Rodrigues o cumprimento da promessa de adquirir novas embarcações para a frota. O deputado estadual Rosemberg Pinto, por sua vez, criticou ACM Neto por explorar politicamente o princípio de incêndio.

Enquanto políticos trocam acusações, quem usa o serviço todos os dias continua convivendo com problemas que, segundo o próprio passageiro Joab Araújo, existem há décadas. "Eu tenho 28 anos e desde criança escuto exatamente as mesmas reclamações", afirmou ele em seu vídeo.

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