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Após meses de impasse e ação judicial, Iguá inicia troca de adutora de amianto na Avenida Maranhão em Aracaju

Tubulação com 30 anos e composta por amianto causou dez vazamentos entre 2025 e 2026, freando obra de R$ 28 milhões de restauração viária na zona Norte da capital sergipana.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Municipios
19 de maio, 2026 · 18:28 3 min de leitura
Obras de pavimentação na Avenida Maranhão em Aracaju com máquinas e sinalização de trânsito
Obras de pavimentação na Avenida Maranhão em Aracaju com máquinas e sinalização de trânsito

A concessionária Iguá Sergipe dará início, nesta quarta-feira (20), à substituição da rede de abastecimento de água na Avenida Maranhão, em Aracaju. O cronograma foi apresentado durante reunião técnica realizada na última segunda-feira (18) com representantes da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) e da Camel Empreendimentos, empresa responsável pelas obras na via.

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A decisão encerra um longo impasse entre a Prefeitura de Aracaju e a concessionária. A ação foi motivada por sucessivos rompimentos na tubulação instalada há mais de 30 anos. Entre abril de 2025 e janeiro de 2026, foram catalogadas dez ocorrências de vazamentos na via, o que provocou paralisações e comprometeu etapas da pavimentação.

O investimento nas intervenções de restauração viária ultrapassa R$ 28 milhões. A rede instalada na via é composta por tubulações de amianto, material considerado obsoleto e potencialmente prejudicial à saúde, com mais de 30 anos de uso. Segundo a Prefeitura, a permanência da tubulação comprometia etapas da pavimentação como subleito, base e sub-base, já que a presença constante de água provoca o carreamento de material e afeta a estrutura do pavimento.

A Prefeitura chegou a entrar com ação na Justiça, em fevereiro, para exigir que a Iguá realizasse a substituição imediata de 3.964 metros de rede adutora na avenida. A medida buscou garantir a continuidade das obras de reestruturação viária e macrodrenagem executadas pelo município no local. O procurador-geral do Município, Hunaldo Mota, afirmou que a medida visa resguardar o investimento público e evitar retrabalho, destacando que "a continuidade da obra sem a substituição da adutora representa risco concreto de danos à nova pavimentação e prejuízo aos cofres públicos".

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Em abril, o governador Fábio Mitidieri anunciou a retomada da obra durante coletiva com a presença da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), da Iguá Sergipe e da Agrese, confirmando que a concessionária ficaria responsável pela execução. Segundo Mitidieri, o Estado atuou como mediador para destravar a situação: "Em comum acordo com a Iguá, entendendo a questão da avenida Maranhão e o impasse com o município, fizemos uma intermediação para que a empresa execute a obra."

A obra prevê a substituição de cerca de 4 mil metros de rede adutora considerada obsoleta, com o objetivo de reduzir rompimentos e vazamentos recorrentes. A avenida concentra áreas comerciais e residenciais, além de prédios públicos e do Hospital Municipal Zona Norte Dr. Nestor Piva, o que torna urgente a regularização do trânsito e do serviço durante os trabalhos. Segundo a Prefeitura, a SMTT atuará na organização do tráfego durante a execução.

O problema da Avenida Maranhão não é isolado no Brasil. O amianto é uma substância que causa risco à saúde, com potencial cancerígeno, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Redes com antigos tubos de amianto ainda estão presentes em milhares de municípios brasileiros e apresentam, além do risco à saúde, desvantagens econômicas, segundo especialistas do setor de saneamento.

Enquanto a substituição não é concluída, a operação tapa-buraco continuará sendo realizada de forma emergencial na via, conforme informou a Prefeitura de Aracaju. Durante o mesmo evento de abril, a Iguá Sergipe apresentou um plano de investimentos para 2026, que prevê a aplicação de R$ 241 milhões em ações voltadas ao abastecimento de água e esgotamento sanitário no estado.

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