Uma disputa financeira que azedou de vez a relação entre o zagueiro Emanuel Brítez e o Fortaleza abriu uma oportunidade inesperada para o Esporte Clube Vitória no mercado de transferências. O argentino de 34 anos não vai mais atuar pelo clube cearense, e o rubro-negro baiano é um dos interessados na sua contratação.
A crise não nasceu do nada. Este foi o segundo episódio de atrito entre a diretoria do Fortaleza e Brítez em 2026. Em abril, após derrota para o Ceará no Clássico-Rei da Copa do Nordeste, o camisa 2 mandou recado ao CEO da SAF, Pedro Martins, sobre a forma como o clube estava sendo gerido. Na ocasião, houve reunião entre atletas, comissão técnica e dirigentes, em que o argentino pediu desculpas. Os dirigentes chegaram a avaliar rescisão por justa causa, mas apaziguaram a situação, e Brítez seguiu como titular e capitão.
O impasse voltou com força em junho. O capitão cobra cerca de R$ 230 mil de valores atrasados e chegou a ameaçar não viajar para o próximo jogo fora de casa, o que deflagrou nova crise interna no clube. O pano de fundo é financeiro: em maio do ano passado, Brítez renovou contrato com o Tricolor até o fim de 2027. Pelo novo acordo, o jogador teria direito a quase R$ 520 mil de luvas. Mas, diante da temporada de dificuldade financeira — com a queda para a Série B —, o clube suspendeu esse tipo de bônus e propôs renegociações.
Os outros jogadores com direito a luvas aceitaram postergar o recebimento. Brítez não aceitou. O argentino tem R$ 227,5 mil de montante atrasado e outros R$ 291 mil a receber até o fim deste ano. O Fortaleza propôs pagar a partir de janeiro de 2027, em 12 parcelas. Brítez não aceitou. A discussão acalorada no treino de reapresentação da última terça-feira (30) com o CEO Pedro Martins, segundo informações do portal Esportes O Povo, foi o ponto de ruptura definitivo.
Os acontecimentos mais recentes indicam que a ruptura deixou de ser apenas uma questão contratual para se transformar em um desgaste institucional. A cobrança por valores atrasados e os conflitos constantes com o CEO Pedro Martins encerram uma trajetória que parecia destinada a outro tipo de despedida. O departamento de futebol decidiu pela saída do defensor, que ainda tem vínculo com o clube até o fim de 2027.
Do lado baiano, o Vitória vive situação oposta: precisa repor a zaga. O clube perdeu Neris, que foi justamente para o Fortaleza, e também deve perder Riccieli em breve. Com a janela de transferências prevista para abrir em 20 de julho, seguindo até 11 de setembro conforme calendário da CBF, o rubro-negro trabalha nos bastidores para antecipar negociações.
Brítez chega com um currículo extenso no Brasil. A relação de Emanuel Brítez com o Fortaleza foi uma das que ultrapassam o desempenho dentro de campo. Capitão, peça importante em campanhas marcantes e símbolo de entrega, o argentino construiu um vínculo raro nos anos recentes. Segundo informações divulgadas pelo Futebol Baiano, em cinco temporadas pelo Tricolor do Pici, o defensor disputou 191 jogos, marcou dois gols e deu oito assistências, conquistando a Copa do Nordeste de 2024 e dois títulos do Campeonato Cearense (2023 e 2026).
Natural de Santa Fe, na Argentina, Brítez já passou pelo Defensa y Justicia, Rosario Central e Independiente antes de chegar ao Brasil. Além do acerto com Brítez, o Vitória também já fechou a contratação do meia Pochettino, sinal de que o clube pretende reforçar o elenco de forma significativa nesta janela.







