Alagoas fechou os quatro primeiros meses de 2026 com um resultado preocupante no mercado de trabalho formal. Segundo dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego nesta quinta-feira (28), o estado acumulou 16.496 admissões e 18.001 desligamentos entre janeiro e abril, resultando no fechamento líquido de 1.505 vagas com carteira assinada.
O desempenho coloca Alagoas em situação de destaque negativo no mapa nacional. O estado registrou a maior retração proporcional do país no período, com queda de 2,69% nos postos formais de trabalho. Na comparação com os demais estados, apenas Alagoas, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte registraram saldo negativo em abril.
No Nordeste, o contraste é ainda mais evidente. Enquanto Alagoas fechou vagas, entre os estados com menores saldos no acumulado do ano estão Roraima (1.430), Rio Grande do Norte (242) e Alagoas (-12.185). A região Nordeste como um todo, no entanto, manteve trajetória positiva, impulsionada principalmente pelos setores de serviços e construção civil.
Dentro do próprio estado, a indústria foi o setor que mais pesou no resultado negativo, com perda de 2.244 vagas no período, segundo informações do Caged. A agropecuária também recuou, fechando 689 postos. Do lado positivo, serviços abriram 829 vagas, a construção civil somou mais 531 e o comércio gerou 68 empregos — números que ajudaram a conter, mas não reverter, o prejuízo acumulado.
Apesar do saldo negativo, o estado mantém um estoque de 441.332 empregos formais ativos, segundo os dados divulgados. O setor de serviços concentra a maior fatia desse total, com mais de 218 mil vínculos ativos. O tempo médio de permanência no emprego entre os trabalhadores desligados em Alagoas foi de 20,2 meses.
O quadro alagoano se insere em um cenário nacional também de desaceleração. O Brasil registrou no mês de abril a criação de 85.888 postos de trabalho com carteira assinada, resultante de 2.268.655 admissões e 2.182.767 desligamentos. Em relação a março, quando foram criadas 227.974 vagas, houve queda de 62,3% no ritmo de geração de empregos — e, na série histórica para meses de abril, este foi o segundo pior desempenho desde 2020.
De janeiro a abril de 2026, foram gerados 699.762 vínculos no país, valor 23,4% inferior ao mesmo período de 2025, que havia somado 913.827. O cenário é atribuído, em parte, ao encerramento de safras agrícolas e à desaceleração sazonal do comércio no período.
No país, o maior crescimento do emprego formal ocorreu no setor de serviços, que gerou 69.601 postos, seguido da construção civil, com saldo positivo de 23.525 empregos, e da indústria, com 9.256 novas vagas. No mês de abril, foram registrados saldos positivos em 24 estados. Alagoas ficou fora desse grupo — assim como em meses anteriores do ano.







