Paulo Afonso · BA
Última hora
PI 637
Emprego

Única no Nordeste no vermelho: Alagoas perde mais de 1,5 mil vagas formais no início de 2026

Estado teve a maior retração proporcional do país no primeiro quadrimestre, com indústria e agropecuária puxando o fechamento de postos com carteira assinada.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Emprego
28 de maio, 2026 · 21:07 2 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
Portal ChicoSabeTudo

Alagoas fechou os quatro primeiros meses de 2026 com um resultado preocupante no mercado de trabalho formal. Segundo dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego nesta quinta-feira (28), o estado acumulou 16.496 admissões e 18.001 desligamentos entre janeiro e abril, resultando no fechamento líquido de 1.505 vagas com carteira assinada.

Publicidade

O desempenho coloca Alagoas em situação de destaque negativo no mapa nacional. O estado registrou a maior retração proporcional do país no período, com queda de 2,69% nos postos formais de trabalho. Na comparação com os demais estados, apenas Alagoas, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte registraram saldo negativo em abril.

No Nordeste, o contraste é ainda mais evidente. Enquanto Alagoas fechou vagas, entre os estados com menores saldos no acumulado do ano estão Roraima (1.430), Rio Grande do Norte (242) e Alagoas (-12.185). A região Nordeste como um todo, no entanto, manteve trajetória positiva, impulsionada principalmente pelos setores de serviços e construção civil.

Dentro do próprio estado, a indústria foi o setor que mais pesou no resultado negativo, com perda de 2.244 vagas no período, segundo informações do Caged. A agropecuária também recuou, fechando 689 postos. Do lado positivo, serviços abriram 829 vagas, a construção civil somou mais 531 e o comércio gerou 68 empregos — números que ajudaram a conter, mas não reverter, o prejuízo acumulado.

Publicidade

Apesar do saldo negativo, o estado mantém um estoque de 441.332 empregos formais ativos, segundo os dados divulgados. O setor de serviços concentra a maior fatia desse total, com mais de 218 mil vínculos ativos. O tempo médio de permanência no emprego entre os trabalhadores desligados em Alagoas foi de 20,2 meses.

O quadro alagoano se insere em um cenário nacional também de desaceleração. O Brasil registrou no mês de abril a criação de 85.888 postos de trabalho com carteira assinada, resultante de 2.268.655 admissões e 2.182.767 desligamentos. Em relação a março, quando foram criadas 227.974 vagas, houve queda de 62,3% no ritmo de geração de empregos — e, na série histórica para meses de abril, este foi o segundo pior desempenho desde 2020.

De janeiro a abril de 2026, foram gerados 699.762 vínculos no país, valor 23,4% inferior ao mesmo período de 2025, que havia somado 913.827. O cenário é atribuído, em parte, ao encerramento de safras agrícolas e à desaceleração sazonal do comércio no período.

No país, o maior crescimento do emprego formal ocorreu no setor de serviços, que gerou 69.601 postos, seguido da construção civil, com saldo positivo de 23.525 empregos, e da indústria, com 9.256 novas vagas. No mês de abril, foram registrados saldos positivos em 24 estados. Alagoas ficou fora desse grupo — assim como em meses anteriores do ano.

Leia também