Um engenheiro eletricista com 25 anos de experiência em grandes multinacionais decidiu empreender no setor de energia solar em Alagoas. O começo foi humilde: a empresa funcionava nos fundos de uma lavanderia. Hoje, a O3 Energy é um caso de crescimento estruturado dentro de um mercado que não para de expandir no Nordeste.
Milton Oliveira, fundador da empresa, conta que a ideia surgiu quando ele próprio foi pesquisar um sistema solar para sua residência. "Na busca por instalar meu próprio sistema solar, identifiquei um potencial gigantesco de oferecer para outras pessoas benefícios como redução na conta de energia elétrica, então resolvi empreender", explica. O problema é que o espaço físico gerava desconfiança. Clientes visitavam o local e questionavam a credibilidade do negócio.
A virada começou em agosto de 2025, quando a empresa passou a funcionar em uma sala dentro de um coworking. A mudança de endereço, aliada à experiência técnica de Milton — que atuou durante 25 anos em multinacionais como Gerdau, Ford, Votorantim e Braskem —, contribuiu diretamente para fortalecer a imagem da empresa no mercado. O salto nos resultados veio logo depois: o faturamento mais do que dobrou apenas no primeiro trimestre de 2026. Depois de fechar 2025 com R$ 25 mil, a empresa alcançou R$ 60 mil nos primeiros meses deste ano.
Parte desse crescimento veio de uma conexão feita pelo Sebrae Alagoas. Desde o início da operação, Milton buscou apoio da instituição com o objetivo de acessar crédito para expansão da empresa, tanto na estrutura física quanto na capacidade operacional. Durante os atendimentos, foi conectado à Leroy Merlin, parceira do Sebrae que buscava prestadores de serviço para instalação fotovoltaica. A partir dessa aproximação, a O3 Energy foi aprovada como prestadora de serviço da rede varejista, o que garantiu previsibilidade de receita todos os meses.
Para organizar a operação comercial, a empresa desenvolveu um playbook com fluxo de atendimento, funil de vendas e processos de gestão. Vindo de uma área essencialmente técnica, Milton percebeu a necessidade de buscar capacitação em gestão comercial e vendas. "Fiz treinamentos com empresas que capacitam grandes players do mercado. Ao longo do tempo, fui estruturando ferramentas, aplicando e entendendo quais funcionavam melhor para o meu negócio", conta.
O analista do Sebrae Alagoas Ruan Lee aponta que esse tipo de organização é o que diferencia as empresas que sobrevivem das que fecham rapidamente. "No mercado de energia solar existe uma diferença muito grande entre as empresas que surgem e desaparecem rapidamente e aquelas que conseguem se manter. O fator decisivo é a organização interna. Abrir um negócio é uma coisa, mantê-lo é outra. É preciso estruturar atendimento, comercial, divulgação e estoque. Quando essa organização não existe e o foco é apenas competir, gasta-se muita energia e se obtém pouco retorno."
Os números mostram que o risco é real. A taxa de mortalidade empresarial no setor solar em Alagoas chega a 27,2%, indicando que o crescimento acelerado exige qualificação técnica e gestão eficiente. Entre as empresas acompanhadas pelo Sebrae, no entanto, a taxa cai para 5,1%, evidenciando a importância do suporte institucional para garantir sustentabilidade e longevidade aos negócios.
O ambiente geral é favorável. Impulsionado pela energia solar, o setor de empresas relacionadas à instalação e manutenção energética e geração de energia elétrica cresceu 40,77% em quatro anos em Alagoas, segundo a Junta Comercial do Estado (Juceal). Somente em 2025, 595 negócios das atividades foram abertos. Mais de 80% da produção primária de energia em Alagoas já provém de fontes renováveis, praticamente o dobro da média brasileira.
No plano nacional, a fonte fotovoltaica avança com força. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prevê que a geração centralizada de energia solar será responsável por quase metade do crescimento da capacidade elétrica no Brasil em 2026, com expansão de 4,56 gigawatts. Caso o total se confirme, o crescimento da fonte este ano será 61,7% maior do que em 2025.
Para Milton, o próximo passo é consolidar a previsibilidade de vendas e ampliar a atuação. "Nosso foco principal agora é manter previsibilidade nas vendas para sustentar as metas de faturamento mensal e anual. Em um futuro próximo, queremos ter nosso próprio showroom para demonstrar o funcionamento do sistema solar aos clientes. Também queremos atuar mais fortemente na eletromobilidade e em sistemas híbridos com baterias, tanto para o mercado residencial quanto para empresas."







