A Amazon, gigante do comércio eletrônico e da tecnologia, realizou mais uma rodada de demissões que impactou milhares de funcionários em todo o mundo, incluindo trabalhadores aqui no Brasil. Estima-se que cerca de 16 mil pessoas perderam seus empregos nesta semana, o que representa aproximadamente 10% dos cargos nos escritórios da empresa.
Embora a companhia empregue um milhão e meio de pessoas globalmente, essa nova leva de cortes acende um alerta sobre o futuro do mercado de trabalho, especialmente no setor de tecnologia. A Amazon não divulgou quantos funcionários foram desligados especificamente em território brasileiro quando contatada pelo G1 e pelo Olhar Digital.
Por que a Amazon está demitindo?
A explicação oficial da Amazon para os cortes é a busca por uma estrutura mais leve e menos burocrática. A ideia é diminuir o número de chefias e simplificar os processos internos para operar de forma mais eficiente. No entanto, um fator tecnológico importante também está em jogo: a inteligência artificial (IA).
O CEO da Amazon, Andy Jassy, já havia sinalizado em outras ocasiões que o avanço da IA reduziria a necessidade de um grande número de pessoas em certas funções. Essa tecnologia, ao automatizar tarefas e otimizar operações, naturalmente reestrutura as demandas de pessoal dentro da companhia.
Tensão e desligamento rápido: o relato de um funcionário no Brasil
A tensão era palpável nos escritórios da Amazon, especialmente entre os que trabalham no Brasil. Um funcionário demitido, que preferiu não se identificar, compartilhou com o G1 a sua experiência angustiante. Ele contou que foi avisado sobre seu desligamento durante uma rápida chamada de vídeo.
“O clima na empresa era de muita tensão”, relatou o funcionário. “Após a conversa, tive apenas 40 minutos para apagar meus arquivos pessoais do notebook da empresa.”
Essa urgência para limpar dados pessoais após um aviso de demissão por videochamada destaca a natureza abrupta e despersonalizada de muitos desligamentos em grandes corporações.
O histórico de cortes da Amazon
Esta não é a primeira vez que a Amazon realiza grandes cortes em seu quadro de funcionários. A Reuters já havia antecipado a atual rodada de demissões em 23 de janeiro. Em um movimento anterior, a empresa cortou cerca de 14 mil cargos corporativos em outubro de 2025 — parte de um plano ainda maior para reduzir até 30 mil posições administrativas.
Naquela época, a decisão foi justificada pelo avanço da inteligência artificial, pela busca por ganhos de eficiência através da automação e por ajustes necessários após um período de muitas contratações durante a pandemia de Covid-19. O cenário atual reforça a tendência de grandes empresas de tecnologia em otimizar suas operações, muitas vezes com um alto custo humano.







