O prefeito de Teresina, Sílvio Mendes (União Brasil), anunciou nesta segunda-feira (18) um conjunto de medidas punitivas contra os motoristas de ônibus que iniciaram paralisações de advertência na capital piauiense. Segundo informações divulgadas pelo CidadeVerde.com, durante entrevista no Palácio da Cidade, o gestor confirmou que acionou o Tribunal de Justiça para impedir bloqueios de vias públicas e filas duplas durante a greve.
De acordo com a fonte, cada ônibus flagrado parado no meio do percurso ou formando fila dupla poderá ser multado em R$ 5 mil — e a cobrança recairá sobre os próprios motoristas, não sobre as empresas. Além disso, o prefeito anunciou suspensão da Carteira Nacional de Habilitação por até 12 meses para quem praticar essas infrações, impedindo o profissional de trabalhar durante o período.
Sílvio Mendes também avisou que ônibus utilizados como instrumento de pressão serão removidos pelas autoridades e só devolvidos após o pagamento das multas e a regularização dos emplacamentos. A prefeitura comunicou o movimento paredista ao governo do estado, ao Ministério Público, à Polícia Militar, à Secretaria de Segurança, ao Sintetro e ao Setut.
Os motoristas e cobradores de Teresina iniciaram nesta segunda-feira (18) uma paralisação de 100% das atividades, mas não se trata de uma greve geral — a ação tem duração máxima de duas horas nos horários de pico, tanto no turno da manhã quanto no turno da tarde. Essas paralisações devem ocorrer até o dia 25 de maio, data marcada para o início de uma greve geral, caso não haja acordo com os empresários.
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário do Piauí (Sintetro) havia anunciado o estado de greve a partir do dia 18 de maio, após a rejeição da proposta apresentada pelos empresários do setor. Em assembleia realizada na quarta-feira (13), os rodoviários rejeitaram a proposta das empresas, que previa reajuste de apenas 3% nos salários, no vale-alimentação e no plano de saúde.
Além das questões salariais, os trabalhadores reivindicam melhores condições de trabalho, incluindo a renovação da frota de ônibus da capital piauiense. O sindicato aponta que a passagem está há seis anos sem reajuste, que as ruas estão esburacadas e que a prefeitura deve mais de R$ 200 milhões ao setor, além do impacto do aumento do diesel.
Quanto ao subsídio público, Sílvio Mendes afirmou que os cerca de R$ 6 milhões mensais repassados ao sistema serão redistribuídos para os veículos alternativos cadastrados pela Strans que estiverem rodando durante a paralisação. O prefeito tem reiterado que a capital não tem condições de resolver o sistema de transporte público somente com recursos próprios, em um serviço que já era deficitário e sofreu novo impacto com a alta dos combustíveis.
Para tentar reduzir o impacto da greve, a Strans iniciou o cadastramento emergencial de ônibus e vans particulares que devem operar temporariamente na cidade, tendo cadastrado dezenas de veículos para suprir a demanda. O prefeito pediu bom senso aos grevistas e disse estar reavaliando os cálculos do transporte público da cidade. A situação permanece tensa, com a ameaça de paralisação total a partir do dia 25 caso as negociações não evoluam.







