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Cultura

Terreiros de Salvador abrem portas para mulheres negras do Candomblé neste fim de semana

Okàn Dúdú leva oficinas e debates gratuitos ao Ilê Axé Alarabede e ao Hunkpame Kare Lewi nos dias 18 e 19 de julho, dentro do Circuito Mulheres Negras em Movimento 2026

Redação ChicoSabeTudo
17 de julho, 2026 · 01:28 2 min de leitura
Lideranças femininas do Candomblé reunidas em roda de conversa dentro de um terreiro em Salvador
Lideranças femininas do Candomblé reunidas em roda de conversa dentro de um terreiro em Salvador

Dois terreiros de Salvador recebem, nesta sexta e sábado (18 e 19 de julho), uma programação cultural gratuita voltada para mulheres negras no Candomblé. A iniciativa é do Projeto Okàn Dúdú – Conectando Terreiros, que, segundo informações divulgadas pelo A Tarde, integra o Circuito Mulheres Negras em Movimento 2026, promovido pela Prefeitura de Salvador por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), dentro do programa Salvador Capital Afro.

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O Circuito foi formado com curadoria coletiva, conectando cultura, lazer, memória, economia criativa e políticas públicas de equidade racial e de gênero, e integra a agenda estratégica do programa Salvador Capital Afro, voltada para a valorização da mulher negra soteropolitana. O evento integra as celebrações pelo 25 de julho, data que marca o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, o Dia Municipal da Mulher Negra em Salvador e o Dia Nacional de Tereza de Benguela.

O Okàn Dúdú significa "Coração Negro" em yorubá e foi idealizado pela jornalista Laísa Gabriela de Sousa. O projeto tem como missão reafirmar identidades e preservar memórias da comunidade negra de Candomblé, articulando saberes ancestrais e contemporâneos e conectando a religião a questões sociais como educação, raça e gênero, saúde mental e legado ancestral.

Nesta edição, as atividades acontecem em dois espaços: o Ilê Axé Alarabede, no Engenho Velho da Federação, e o Hunkpame Kare Lewi. Segundo a organização, o tema central é "Do Corre à Plenitude", que propõe uma reflexão sobre o direito das mulheres negras ao descanso, ao bem viver, à memória e à cultura.

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Na sexta-feira (18), o Ilê Axé Alarabede recebe a roda de conversa "O papel das mulheres pretas como lideranças no Candomblé e sua importância para a comunidade", produzida em parceria com o Projeto Samba D'Ayó. Altamira Simões e Amana Simões participam da mesa. Na sequência, a escritora Lorena Lacerda conduz uma oficina de poesia voltada ao fortalecimento das experiências das mulheres negras.

No sábado (19), o Hunkpame Kare Lewi recebe a roda de conversa "Como manter o legado ancestral vivo através das novas gerações?", com a participação de Deré Oyagenan, Lindiwe Onawale e membros da comunidade. O encerramento fica por conta de uma oficina de toques sagrados conduzida por Emily Vitória, que vai apresentar ritmos utilizados em cerimônias do Candomblé.

Para Laísa Gabriela, o Okàn Dúdú "tem criado caminhos para discussões sobre temas essenciais para a nossa comunidade, como acolhimento, combate ao racismo religioso, coletividade e pertencimento". Ao longo de seu ciclo educativo, o projeto já promoveu sete rodas de conversa, conectando diferentes gerações.

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A idealizadora também ressalta o desafio de manter projetos culturais sem recursos fixos. Segundo ela, a integração ao Circuito Mulheres Negras em Movimento e o apoio do Salvador Capital Afro representam uma oportunidade de colocar em evidência as construções feitas por mulheres negras. Nos próximos passos, o projeto se prepara para ampliar seu impacto com a produção de um documentário e com palestras em escolas. Toda a programação deste fim de semana é gratuita e aberta ao público.

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