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Cultura

NZO OLORIN: Bahia sedia primeira edição do festival nacional que leva música de terreiro ao povo

Evento gratuito no Centro Histórico de Salvador reúne 15 atrações das cinco regiões do Brasil entre os dias 1º e 3 de julho, com apoio do Ministério da Igualdade Racial.

Redação ChicoSabeTudo
28 de junho, 2026 · 05:10 2 min de leitura
Apresentação do Grupo Ofá com percussão e cânticos de matriz africana no Pelourinho, Salvador
Apresentação do Grupo Ofá com percussão e cânticos de matriz africana no Pelourinho, Salvador

Salvador vai sediar, entre os dias 1º e 3 de julho, a primeira edição do NZO OLORIN – Festival de Música de Terreiro, iniciativa inédita que leva ao grande público a sonoridade ancestral das religiões de matriz africana, diretamente pelo próprio povo de santo. O evento é gratuito e acontece em diferentes espaços do Centro Histórico, incluindo o Pelourinho.

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A realização é do Ministério da Igualdade Racial em parceria com o Governo da Bahia. Ao todo, o festival reunirá 15 atrações de comunidades tradicionais das cinco regiões do país e deve receber cerca de 5 mil pessoas ao longo dos três dias de programação.

A abertura acontece no dia 1º de julho, às 17h30, no Largo Quincas Berro D'Água, com a presença da ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros. Os primeiros shows ficam por conta do Grupo Alafin Oyó (PE), Pai Alfredo (RS), Grupo Coletivo Cultural Bariri (MA) e Pradarrum – Ogan Gabi Guedes (BA) — representações de quatro regiões do país já na noite de estreia.

As atividades vão ocupar seis espaços culturais: o Espaço Cultural da Barroquinha, a Escola de Dança da FUNCEB, a Casa da Igualdade Racial, o Largo Tereza Batista, o Largo Quincas Berro D'Água e a Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba. Além dos shows, a programação inclui oficinas, seminários e debates sobre patrimônio cultural afro-brasileiro, juventude negra, economia criativa e preservação dos saberes ancestrais.

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A direção artística do festival está a cargo do alabê e sociólogo Iuri Passos — integrante do Grupo Ofá e do Terreiro do Gantois — e do produtor e sociólogo José Maurício Bittencourt. Segundo informações divulgadas pela reportagem original do A Tarde, os organizadores entendem o NZO OLORIN como um marco de uma articulação nacional em curso para tornar a música de terreiro um patrimônio imaterial brasileiro, com pesquisadores já trabalhando no pedido de patrimonialização.

O Grupo Ofá, referência nesse universo, tem trajetória reconhecida internacionalmente: o álbum "Obatalá", gravado em homenagem à ialorixá Mãe Carmen do Gantois, foi indicado ao Grammy Latino de Música Raiz. O grupo une percussão ancestral a arranjos da música popular e erudita, mantendo a estrutura rítmica dos terreiros de candomblé.

O festival também está inserido em datas simbólicas. O dia 2 de julho marca a Independência do Brasil na Bahia, e o dia 3 é o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial — coincidência que os organizadores consideram central para o significado político do evento.

Alinhado à Política Nacional de Terreiros, o NZO OLORIN tem como objetivo valorizar a musicalidade dos povos de terreiro, ampliar a visibilidade de seus saberes e fortalecer o enfrentamento ao racismo religioso. As inscrições para oficinas e painéis podem ser feitas pela plataforma Sympla.

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