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Cultura

Fotógrafos baianos dos anos 2000 chegam ao Pelourinho com mostra que quebra o olhar clássico sobre a Bahia

Exposição itinerante reúne 26 artistas e 104 imagens que trocam o documental pela poética pessoal — e abre em Salvador no dia 17 de junho, no Solar Ferrão.

Redação ChicoSabeTudo
14 de junho, 2026 · 05:09 3 min de leitura
Obras da exposição Ecologia dos Sentidos – Panorama da 3ª Geração de Fotografia da Bahia no Solar Ferrão, Pelourinho, Salvador
Obras da exposição Ecologia dos Sentidos – Panorama da 3ª Geração de Fotografia da Bahia no Solar Ferrão, Pelourinho, Salvador

Uma Bahia diferente daquela dos cartões-postais, dos rituais filmados em preto e branco e das belas-artes afro-brasileiras do século 20 vai tomar conta da Galeria Solar Ferrão, no Pelourinho, a partir do dia 17 de junho. A exposição "Ecologia dos Sentidos – Panorama da 3ª Geração de Fotografia da Bahia" chega a Salvador depois de percorrer cinco estados do Nordeste e traz um recado claro: a fotografia baiana mudou — e muito.

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A mostra reúne 104 imagens de 26 artistas surgidos a partir dos anos 2000, considerados pelo curador Marcelo Reis a terceira geração da fotografia na Bahia. O projeto é o único do Nordeste, em sua categoria, premiado com a Bolsa Funarte de Artes Visuais Marcantonio Vilaça 2023.

"Diferentemente das demais gerações, essa última tem como questão central em suas obras a estética e as poéticas relacionais, deixando de lado a ideia de mundo exterior e potencializando os seus mundos interiores e as suas questões de vida contemporânea", explica Marcelo Reis. Em outras palavras, o clique deixou de ser uma janela para o mundo e passou a ser um espelho do artista.

A diferença geracional fica clara quando se compara com o que veio antes. A segunda geração — de nomes como Pierre Verger, Voltaire Fraga e Mário Cravo Neto — consolidou uma estética do corpo negro e da religiosidade. Já a terceira aposta nas abstrações, nos traumas, na memória afetiva e nas questões políticas de quem fotografa. As 104 imagens revelam fortes influências decoloniais, de resistência contra as violências de gênero e de raça.

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Um dos destaques da mostra é o feirense Adriano Machado. Indicado ao Prêmio PIPA 2021, ele é doutorando em Artes Visuais pela UFBA e foi pesquisador visitante na Universidade de Nova York (NYU), com bolsa Capes-PrInt. Na exposição, ele apresenta a série "Cobra Verde", de 2013, construída a partir da memória de suas duas avós — uma lavadeira e uma feirante que criaram os filhos sozinhas. Seus projetos artísticos discutem questões sobre identidade, território e memória, e apontam para a condição humana entre os espaços de convivência e os territórios afro-inventivos. Além do PIPA, Adriano recebeu o Prêmio Marc Ferrez 2024 e participou da Bienal de Dakar em 2022.

A mostra é organizada em três núcleos temáticos: Corpo, Memória e Sagrado. No núcleo Corpos, a fotógrafa Ananda Nunes apresenta a série "Rituais de Resistência", formada por autorretratos que discutem a não-erotização da nudez feminina e a disputa pela narrativa sobre o próprio corpo — quase sempre contada pelo olhar masculino nos museus e galerias.

A pesquisa que deu origem à exposição foi conduzida por Marcelo Reis durante a pandemia, quando ele entrevistou 100 profissionais em conversas que chegavam a três horas de duração. A mostra está em itinerância pelo Nordeste desde setembro de 2024, percorrendo as cidades de Olinda, Natal, São Luís, João Pessoa e Aracaju, promovendo oficinas gratuitas, visitas guiadas e bate-papos com o público. Salvador é a última parada.

No dia seguinte à inauguração, em 18 de junho, haverá visita guiada com o curador Marcelo Reis, às 16 horas. Ao longo dos quatro meses de estadia em Salvador, o projeto vai promover oficinas gratuitas ministradas por artistas participantes da mostra. A exposição fica em cartaz no Centro Cultural Solar Ferrão — Rua Gregório de Mattos, 45, Pelourinho — até 18 de outubro, com visitação de terça a domingo, das 9h às 17h. Entrada gratuita.

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