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Zuckerberg ignorou alertas sobre IA para jovens, aponta processo

Processo acusa Mark Zuckerberg de ignorar alertas sobre IA gerar conteúdo sexual para menores. Meta é criticada por negar controles parentais.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
28 de janeiro, 2026 · 13:05 3 min de leitura
(Imagem: FotoField/Shutterstock)
(Imagem: FotoField/Shutterstock)

Documentos internos da Meta, a gigante por trás do Facebook e Instagram, colocam o CEO Mark Zuckerberg no centro de uma polêmica. Ele é acusado de ter liberado o uso de chatbots de inteligência artificial (IA) para menores de idade, mesmo com alertas claros de seus próprios funcionários sobre o risco de essas ferramentas gerarem conversas de teor sexual.

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A acusação veio à tona através de uma ação judicial movida pelo estado do Novo México, nos Estados Unidos. O processo alega que Zuckerberg não agiu para impedir que crianças e adolescentes recebessem propostas ou materiais de cunho sexual, todos gerados pelos próprios robôs de IA da empresa. A batalha legal promete esquentar e tem data marcada para ir a julgamento em fevereiro de 2026.

Alertas Ignorados e Prioridade Controversa

Segundo a ação judicial, a Meta teria recebido diversas recomendações para instalar "travas de segurança" e criar ferramentas eficazes de controle parental. No entanto, essas sugestões teriam sido deixadas de lado. A liderança da empresa, em vez de seguir os conselhos de especialistas em proteção infantil, teria preferido uma política de "pouca censura".

"Permitir 'chatbots de romance' para adultos que simulassem adolescentes era algo impossível de defender e perigoso."

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— Ravi Sinha, chefe de segurança infantil da Meta

A preocupação não era apenas de Sinha. Nick Clegg, responsável pelas políticas globais da Meta, também expressou seu receio de que o conteúdo sexual se tornasse a principal forma de uso desses robôs pelos mais jovens. Ele chegou a questionar se a Meta realmente queria ter sua imagem associada a esse tipo de produto e previu uma forte reação negativa da sociedade.

O processo detalha que funcionários chegaram a propor a criação de um botão simples, permitindo que os pais desligassem a IA nas contas de seus filhos. Contudo, esse pedido teria sido barrado por uma decisão de Zuckerberg. Ele, supostamente, defendia que o produto deveria ser menos restritivo e abrir espaço para conversas mais "ousadas" no público adulto, priorizando a liberdade de escolha do usuário em vez do bloqueio de conteúdos.

Denúncias Externas e a Resposta da Meta

Os temores internos foram reforçados por reportagens de grandes veículos de comunicação. Em abril de 2025, o jornal Wall Street Journal publicou uma matéria revelando que os chatbots da Meta estavam criando personagens infantis com comportamentos sexualizados. Outra reportagem, da Reuters, apontou que as próprias diretrizes da empresa chegaram a sugerir que era aceitável a IA ter conversas sensuais com crianças. Na época, a Meta respondeu que essas orientações estavam incorretas e que os exemplos citados eram apenas situações hipotéticas usadas em testes.

Diante das acusações, a Meta se defende, afirmando que o processo judicial utiliza documentos "escolhidos a dedo" para criar uma imagem distorcida e injusta da companhia. Porta-vozes da empresa garantem que Mark Zuckerberg orientou explicitamente que chatbots com conteúdo sexual não fossem liberados para menores de idade e que adultos não deveriam criar personagens infantis com fins "românticos".

Recentemente, a Meta tomou uma medida mais concreta: suspendeu o acesso de adolescentes a esses chatbots. A empresa informou que isso acontecerá até que uma versão mais segura, com novos controles e mais transparência, seja desenvolvida e finalizada. A promessa, agora, é entregar ferramentas que deem aos pais mais controle sobre a experiência digital de seus filhos com a inteligência artificial.

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