Uma investigação bombástica do jornal The Guardian revelou o lado sombrio por trás da Inteligência Artificial da Meta, dona do Facebook e Instagram. Trabalhadores contratados pela empresa Scale AI relataram que são pagos para analisar conteúdos perturbadores, incluindo imagens de animais mortos, pornografia e até fotos de menores de idade coletadas nas redes sociais.
O esquema funciona através da plataforma Outlier, que recruta profissionais qualificados, como médicos e economistas, com a promessa de trabalho remoto e flexível. No entanto, na prática, os colaboradores acabam atuando como "treinadores" de robôs, revirando perfis pessoais de usuários comuns para alimentar os sistemas de IA com dados privados sem que o público saiba.
Relatos de trabalhadores indicam que a realidade do serviço é pesada. Um estudante de doutorado afirmou que, apesar de promessas de que não veria conteúdo impróprio, foi obrigado a classificar áudios eróticos e imagens de violência gráfica. Outros profissionais contaram que precisaram vasculhar redes sociais de artistas para roubar referências de obras protegidas por direitos autorais.
Além do impacto psicológico, as condições de trabalho são descritas como precárias. Os funcionários sofrem monitoramento constante através de capturas de tela e processos seletivos que não são remunerados. Muitos aceitam as tarefas por necessidade financeira, mesmo sentindo que estão ajudando a criar uma tecnologia que pode roubar seus próprios empregos no futuro.
A Scale AI, que recebeu um investimento bilionário da Meta em 2025, defende-se dizendo que o trabalho é sob demanda e que os colaboradores têm liberdade para escolher seus horários. A empresa negou aceitar projetos que envolvam abuso infantil, mas a investigação reforça o alerta sobre como as grandes empresas de tecnologia estão usando a vida privada dos cidadãos para lucrar.







