A palavra token aparece em dois campos da tecnologia: as criptomoedas e a inteligência artificial. Em ambos os casos ela designa unidades que representam algo — seja valor, seja informação — mas com propósitos e formatos diferentes.
Como a mesma palavra pode assumir significados tão distintos? Pense em um token ora como um ingresso que dá acesso a um evento, ora como uma peça de um quebra‑cabeça que ajuda um sistema a entender uma frase.
Tokens em criptomoedas
Nas blockchains, um token funciona como uma representação digital de valor. Pode corresponder a bens físicos — como ouro ou imóveis — ou a ativos intangíveis, como patentes e direitos autorais. Cada token costuma ter um identificador único para evitar clonagem e movimentações indevidas.
Ao contrário das criptomoedas, que normalmente rodam em redes próprias com validadores e software dedicados, muitos tokens existiram sobre a infraestrutura de uma blockchain já estabelecida.
Os tokens foram classificados em quatro grupos principais:
- NFT (non‑fungible token): itens únicos, como obras digitais, músicas ou publicações isoladas nas redes sociais;
- Payment tokens: usados para transferir capital e atuar como forma de dinheiro eletrônico — o Bitcoin é frequentemente citado como exemplo;
- Utility tokens: dão acesso a serviços ou funcionalidades específicas, como os fan tokens de clubes de futebol;
- Security tokens: equivalem a valores mobiliários e ficam sujeitos à regulação, precisando cumprir normas de supervisores do mercado de capitais e passar por testes como o Howey Test, aplicado pela SEC nos Estados Unidos e observado pela CVM no Brasil.
Plataformas que tokenizaram ativos permitiram que qualquer pessoa interessada comprasse ou negociasse esses tokens; entre os nomes mencionados estiveram MercadoBitcoin, Peer e Blocks BR.
Tokens na inteligência artificial
No universo da inteligência artificial, token é a menor unidade de informação que um modelo de linguagem processa — pode ser um caractere, um símbolo ou uma palavra. Esses pedaços são transformados em identificadores numéricos para que o modelo realize cálculos sobre sequências.
Modelos como Gemini e ChatGPT analisam as relações entre tokens e, com base em probabilidades, estimam qual será o próximo token para gerar respostas coerentes. A tokenização converte dados brutos — textos, sons e imagens — em números: uma frase é fragmentada em unidades, cada uma recebe um identificador, o modelo calcula a sequência mais provável e depois reconverte a previsão em texto.
Conclusão
Apesar de distintos, os dois usos do termo partilham a ideia de representação: na cripto, tokens representam valor; na IA, representam informação. Não há desdobramentos futuros confirmados sobre investigações ou audiências relacionadas a esses temas.







