A Stellantis, um dos maiores grupos automotivos do mundo e dono de marcas famosas como Fiat, Jeep e Peugeot, anunciou na última sexta-feira (6) que fará uma mudança importante em sua estratégia. A empresa revelou que vai registrar um impacto financeiro de nada menos que 22,2 bilhões de euros (o equivalente a cerca de R$ 137,3 bilhões), como parte de um plano para diminuir o foco em carros elétricos e investir mais em modelos a gasolina e híbridos.
Essa decisão, que chacoalhou o mercado, veio depois que o grupo percebeu uma queda nas vendas e um desempenho abaixo do esperado de seus veículos elétricos, principalmente nos Estados Unidos. A Stellantis explicou que essa reavaliação é uma resposta ao ritmo de adoção de carros elétricos, que tem sido mais lento do que o projetado inicialmente.
Um choque financeiro e a revisão de planos
Para se ter uma ideia do tamanho do problema, a Stellantis espera um prejuízo considerável em 2025 por conta desses encargos extras. Por isso, a companhia decidiu suspender o pagamento de dividendos, um sinal claro da gravidade da situação. O CEO Antonio Filosa afirmou em comunicado que a empresa fez uma revisão profunda de suas operações e está implementando as mudanças necessárias para enfrentar o momento de vendas fracas.
"Passamos por uma revisão profunda de nossas operações e iniciamos mudanças consideradas necessárias para enfrentar o momento de vendas fracas", disse Antonio Filosa, CEO da Stellantis.
A notícia não foi bem recebida pelos investidores. As ações da Stellantis chegaram a cair cerca de 27% no pregão europeu logo após o anúncio, mostrando a preocupação do mercado com o futuro da empresa. Uma parte significativa desse impacto financeiro, 14,7 bilhões de euros, está diretamente ligada ao abandono de projetos de veículos elétricos nos Estados Unidos e à baixa procura pelos modelos já lançados. Outros 2,1 bilhões de euros foram reservados para reduzir os planos de produção de baterias, e ainda há 5,4 bilhões de euros relacionados a garantias, problemas de qualidade e cortes de empregos na Europa.
Onde a estratégia elétrica desandou?
A Stellantis nasceu em 2021 da união entre a Fiat Chrysler e a francesa Peugeot SA. Desde sua criação, o grupo, assim como outras montadoras globais, tinha um plano ambicioso de expandir rapidamente sua linha de veículos elétricos e diminuir a produção de motores a combustão maiores na América do Norte. A ideia era surfar na onda da eletrificação, mas as vendas dos carros elétricos lançados pela empresa ficaram bem abaixo das expectativas.
Essa baixa procura fez com que as fábricas da Stellantis operassem com capacidade muito inferior ao seu potencial. Diante desse cenário, a liderança da empresa também mudou no ano passado, com Antonio Filosa assumindo o lugar do então CEO Carlos Tavares, para guiar a empresa nesta nova fase.
O peso do mercado americano e o caminho à frente
Mesmo com todas as dificuldades, a operação na América do Norte – que inclui marcas como Chrysler, Dodge, Jeep e Ram – continua sendo a principal fonte de lucro para a Stellantis. No entanto, o mercado americano tem apresentado desafios. Em 2025, por exemplo, a Stellantis vendeu 1,2 milhão de veículos nos Estados Unidos, um milhão a menos do que a Fiat Chrysler havia comercializado em 2019.
Filosa reconhece que esses custos refletem uma superestimação da velocidade da transição energética e algumas falhas operacionais do passado. Apesar do recuo em parte da estratégia elétrica, o executivo já havia anunciado um plano de 13 bilhões de dólares em investimentos nos Estados Unidos para os próximos quatro anos. A empresa também já começou a entregar novamente o Jeep Cherokee, um utilitário esportivo que havia sido descontinuado na estratégia anterior, mostrando que o foco agora é mais amplo e flexível.







