Uma poderosa explosão solar, classificada como de classe X – a mais intensa –, aconteceu na superfície do Sol, lançando uma rápida nuvem de plasma e campo magnético, conhecida como Ejeção de Massa Coronal (CME), em direção ao nosso planeta. Especialistas do Met Office do Reino Unido esperam que essa nuvem chegue à magnetosfera da Terra nas próximas 24 horas, acendendo um alerta no clima espacial.
O impacto que está por vir tem o potencial de gerar uma tempestade geomagnética forte, de nível G3, ou até mesmo severa, de nível G4, na escala de 5 níveis da NOAA. Se isso acontecer, o céu noturno pode oferecer um espetáculo raro: as famosas luzes do norte e do sul, a aurora boreal e a austral, podem ser vistas em lugares muito distantes de suas regiões habituais. Imagine só, poder avistá-las em estados como o norte da Califórnia e o Alabama, nos Estados Unidos!
Mas, a que nível será o impacto?
Ainda não há garantia de que o espetáculo cósmico será tão grandioso ou que a tempestade atingirá seu potencial máximo. A intensidade real do evento depende de um fator crucial e que ainda é desconhecido: a orientação do campo magnético dentro da CME.
“Se o campo magnético da CME estiver orientado para o sul, ele pode se ‘conectar’ ao campo magnético da Terra, que aponta para o norte, permitindo que uma enorme quantidade de energia flua para nossa atmosfera superior”, explicam os especialistas.
Essa orientação para o sul, conhecida como Bz negativo, é a chave para desencadear as tempestades mais intensas e as auroras mais vibrantes. Por outro lado, se a orientação for principalmente para o norte (Bz positivo), a magnetosfera da Terra agirá como um escudo natural, desviando a maior parte da energia. Nesse caso, o evento seria muito mais fraco do que o previsto, e “o que parecia ser um evento promissor pode acabar sendo um fiasco”, segundo a análise dos meteorologistas espaciais.
Satélites observam a CME
A incerteza sobre a orientação magnética só será resolvida momentos antes da chegada da CME. Satélites como o DSCOVR e o ACE, que monitoram o vento solar e estão posicionados a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, serão nossos olhos no espaço. Eles vão medir a velocidade, a densidade e, principalmente, a orientação magnética da CME. Essas informações são vitais para dar o aviso final a operadores de redes elétricas e de satélites, que precisam se preparar para possíveis perturbações.
Entenda a explosão solar
Você pode estar se perguntando: o que causa uma explosão tão forte no Sol? Basicamente, uma explosão solar acontece quando a energia magnética que se acumulou na atmosfera do Sol é liberada de repente. Isso geralmente ocorre em regiões de manchas solares, onde os campos magnéticos são mais intensos e emaranhados. Quando esses campos magnéticos se reorganizam ou se reconectam, uma quantidade enorme de energia é liberada em forma de radiação, partículas energéticas e calor.
Muitas vezes, as explosões solares vêm acompanhadas pelas tais Ejeções de Massa Coronal (CMEs), que são como enormes nuvens de plasma e campo magnético arremessadas da coroa solar para o espaço. É exatamente isso que está vindo em nossa direção agora, e a expectativa é grande para saber o quão intenso será esse encontro cósmico.







