A Selvia lançou no Brasil um serviço que usa inteligência artificial e o WhatsApp para simplificar a gestão tributária e financeira de médicos. Em vez de adicionar mais ferramentas, a ideia foi trazer a rotina fiscal para onde muita gente já está: o mensageiro do dia a dia.
Por que surgiu
O lançamento aconteceu num contexto de alta complexidade tributária: relatórios como o Doing Business mostravam que empresas no país gastavam mais tempo com tributos do que em qualquer outro lugar. Isso pesava especialmente para médicos que atuam como pessoa jurídica e em múltiplas instituições.
Segundo o CEO André Servaes, muitos profissionais chegavam a perder cerca de um terço do tempo com tarefas administrativas. Ao longo de uma carreira, esse descontrole por erros ou omissões poderia representar um custo adicional estimado entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão.
Como funciona
O WhatsApp virou a interface principal por ser familiar e acessível. Por trás das conversas, algoritmos organizam dados tributários, respondem dúvidas e executam tarefas 24 horas por dia. A empresa ainda construiu infraestrutura própria para reduzir erros numéricos e evitar as chamadas "alucinações" de IA, buscando maior precisão nos cálculos e na emissão de documentos.
- Emissão automática de notas fiscais.
- Acompanhamento de recebimentos e controle de prazos.
- Respostas e suporte via WhatsApp a qualquer hora.
Em parceria com a infraestrutura da Celcoin, a plataforma criou uma conta pessoa jurídica automatizada: o sistema identificava depósitos feitos por hospitais, calculava os tributos devidos, transferia o valor líquido para a conta pessoal do médico e enviava um relatório pelo WhatsApp com os detalhes da operação.
Resultados
Na prática, a companhia relatou que os atrasos no pagamento de impostos entre seus usuários caíram a zero. Em comparação, a startup estimou que, em escala nacional, cerca de dois terços dos médicos atrasavam tributos com regularidade.
A solução passou a ser usada em mais de 150 municípios e, segundo a empresa, manteve um NPS de 96,5, ante a média de 39 observada em contabilidades tradicionais.
E quem ganha com isso? Os próprios profissionais: menos burocracia e mais tempo e energia para o que realmente importa — o atendimento aos pacientes.







