Em uma conversa franca no podcast Bg2, o CEO da OpenAI, Sam Altman, disse que a receita da empresa era “bem mais” do que as estimativas públicas que vinham apontando cerca de US$ 13 bilhões por ano. Ele tentou, ao mesmo tempo, reduzir o tom alarmista sobre o risco imediato de falência ligado ao plano de investir US$ 1 trilhão na próxima década.
O que ele disse
Altman rebateu os números públicos e afirmou que eles subestimavam a arrecadação da companhia. Questionado sobre prazos de crescimento, fez uma observação irônica: “que tal 1927?”. Isso significa que a OpenAI está a salvo agora? Nem tanto — Altman deixou claro que há riscos, mas quis afastar uma visão de colapso iminente.
Ele também criticou postagens que previam a falência da empresa, sugerindo que quem aposta nesse cenário poderia simplesmente tentar lucrar com a queda: “Uma das raras ocasiões em que isso me agrada [que a OpenAI seja de capital aberto] é quando essas pessoas escrevem essas postagens ridículas do tipo 'a OpenAI está prestes a falir'. Eu adoraria dizer a elas que poderiam simplesmente apostar na queda das ações e adoraria vê-las se darem mal nisso.”
Desafios apontados
Mesmo adotando um tom menos alarmista, Altman destacou alguns riscos operacionais importantes. Entre os pontos mencionados, estão:
- Limitação no acesso à potência computacional necessária para manter o ritmo de crescimento;
- Desafios de escalabilidade na operação, ou seja, fazer o negócio crescer sem perder eficiência;
- Dependência de parcerias estratégicas para crescer com segurança.
Em outras palavras: é como planejar uma longa viagem sem ter certeza se haverá postos de combustível suficientes pelo caminho — a ambição existe, mas a infraestrutura precisa acompanhar.
Parceiros e futuro
No mesmo episódio, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou que a OpenAI superou as expectativas iniciais do plano de negócios firmado com a Microsoft. Reportes anteriores já indicavam que a parceria foi renovada após episódios de atrito e que segue central para a estratégia de crescimento da desenvolvedora.
Sobre abertura de capital, Altman negou que a empresa faria um IPO no ano seguinte, mas não descartou um processo desse tipo em algum momento futuro. A intenção pública de manter investimentos de grande porte e parcerias estratégicas permanece.
Em Salvador, na Bahia, empresas e observadores acompanharam as declarações como parte do debate global sobre a sustentabilidade financeira das grandes líderes em inteligência artificial. A conclusão é direta: a aposta é no crescimento — o desafio é garantir a infraestrutura para que esse crescimento seja viável e duradouro.







