A tecnologia de reconhecimento facial, que facilita a vida de muita gente para desbloquear o celular ou acessar o aplicativo do banco, virou uma verdadeira dor de cabeça para pessoas com deficiência visual. O que era para ser segurança, acabou se tornando uma barreira de exclusão.
O problema vai além de apenas posicionar o rosto na frente da câmera. Muitos sistemas exigem um alinhamento perfeito e que a pessoa olhe fixamente para a lente, algo extremamente difícil ou até impossível para quem tem baixa visão, paralisia ocular ou movimentos involuntários dos olhos.
Segundo Beto Pereira, presidente da Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB), as soluções atuais não dão conta do recado. Ele critica que mesmo os guias de voz, que deveriam ajudar, são “lentos, imprecisos e não resolvem a questão”, fazendo com que as pessoas dependam de terceiros para realizar tarefas simples.
A entidade vem cobrando providências das empresas, mas as melhorias demoram a chegar. A dificuldade em fixar o olhar na câmera ou as diferenças no globo ocular de uma pessoa cega são detalhes que os algoritmos atuais, na maioria das vezes, não conseguem entender e validar.
Para Ana Varotto, da Fundação Dorina Nowill para Cegos, a inclusão precisa ser pensada desde o início da criação da tecnologia. Ela defende o “desenho universal”, com múltiplas formas de autenticação, como biometria por voz ou senhas, garantindo que todos possam usar os serviços com autonomia e segurança.







