Você talvez não saiba, mas a inteligência artificial já está dentro dos filmes e séries que chegam na sua TV. Uma produção da Netflix, 'O Eternauta', usou a tecnologia pra criar uma cena de um prédio desabando que ficou pronta 10 vezes mais rápido que o normal.
A coisa vai além dos efeitos especiais. Em filmes que concorreram ao Oscar no ano passado, a IA foi usada para ajustar a voz dos atores. Isso gerou uma baita discussão: se um computador mexe na voz, o mérito da atuação ainda é todo do artista?
Essa nova realidade traz perguntas que mexem com todo mundo do cinema. Se um robô pode criar uma cena, uma trilha sonora ou até um filme inteiro, de quem é a obra? E como ficam os empregos de editores, artistas de efeitos e outros profissionais?
Para debater essas questões, aconteceu pela primeira vez no Brasil um festival internacional de cinema só sobre inteligência artificial. O evento, que rolou em São Paulo, reuniu diretores, produtores e estudantes para tentar entender o futuro da sétima arte.
Lá, a opinião não foi única. Alguns cineastas defenderam que a tecnologia é boa porque torna a produção de filmes mais barata e acessível. Com isso, quem tem uma boa ideia mas não tem muito dinheiro pode finalmente tirar seu projeto do papel.
Por outro lado, muitos defenderam que a IA deve ser apenas uma ferramenta, como um pincel para um pintor. O produtor Fabiano Gullane, de filmes como 'Que Horas Ela Volta?', foi claro ao dizer que a criatividade e a autoria têm que ser humanas. 'Não podemos terceirizar a autoria para a IA', afirmou.
A maior preocupação de todas, no entanto, é com o mercado de trabalho. A grande dúvida que ficou no ar é se a tecnologia vai roubar o emprego de quem trabalha com tarefas mais técnicas. Por enquanto, ninguém tem uma resposta definitiva para essa pergunta.







