A Prefeitura de Porto Seguro, no sul da Bahia, criou um incentivo financeiro para tentar conter o avanço do peixe-leão na costa do município. Pescadores que capturam o animal e o entregam à Colônia de Pescadores Z-22 recebem R$ 10 por exemplar.
A ação é coordenada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (Semac) e faz parte do Plano Municipal de Ação para o Enfrentamento ao Peixe-Leão, publicado no Diário Oficial do município em 13 de agosto de 2026.
Segundo balanço divulgado no início de setembro, 442 peixes-leão já foram retirados da região. Já uma publicação atribuída à assessoria de comunicação da Prefeitura, de 28 de agosto, e uma reportagem do UOL, de 31 de agosto, citam número maior, próximo de 500 exemplares. A diferença pode estar relacionada à data de cada contagem ou ao critério usado para contabilizar os peixes retirados.
O primeiro registro oficial do peixe-leão em Porto Seguro ocorreu em junho, no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora — segundo reportagens, no dia 12 daquele mês, embora o texto do plano publicado no Diário Oficial mencione apenas o mês, sem especificar o dia. Antes disso, o primeiro registro da espécie em toda a Bahia havia acontecido em fevereiro de 2025, em Morro de São Paulo.
O plano separa as regras conforme o local. Dentro do Parque Recife de Fora, onde a pesca é proibida, a retirada do peixe-leão fica restrita a equipes capacitadas. Já na faixa costeira fora da unidade de conservação, pescadores e outras pessoas treinadas e autorizadas podem participar da captura mediante a bonificação.
O valor de R$ 10 por peixe não aparece expressamente no texto publicado no Diário Oficial; a informação foi confirmada por reportagens com base em relatos da assessoria da Prefeitura. Ainda de acordo com essa mesma publicação da assessoria, o incentivo deve ser mantido por mais um mês e, depois, passar por redução gradual — um detalhe que não consta no documento oficial consultado.
O plano determina que os peixes-leão capturados não sejam devolvidos vivos ao mar. Os animais devem ser encaminhados, preferencialmente, ao Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha (Lecomar), da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), para uso em pesquisas sobre distribuição, biologia, alimentação e reprodução da espécie.
A estratégia prevê ainda a criação de um canal oficial para que pescadores, mergulhadores, operadores de turismo e outros usuários do mar comuniquem novos registros do animal, com informações como localização, profundidade, quantidade de exemplares e fotografias. O objetivo é montar uma base de dados georreferenciada capaz de apontar as áreas de maior concentração da espécie.
Pesquisadores alertam para a possibilidade de encontrar peixes-leão em profundidades maiores, inclusive abaixo dos 30 metros. Durante reunião interinstitucional em julho, especialistas também avaliaram que ações isoladas não seriam suficientes para controlar a espécie de forma permanente.
O documento prevê ainda a criação de um protocolo específico para atendimento a pessoas feridas pelos espinhos venenosos do peixe-leão, além de capacitação para profissionais ligados ao turismo e ao ambiente marinho.
O consumo do peixe-leão não foi autorizado automaticamente pelo plano. Alternativas como processamento e comercialização da espécie ainda dependem de análises técnicas, sanitárias, ambientais e econômicas, segundo o documento.
A estratégia prevê articulação com órgãos estaduais e federais, como Sema, Inema, Ibama e ICMBio, além de municípios vizinhos no Extremo Sul da Bahia. O plano tem validade por prazo indeterminado e deve passar por avaliação geral a cada dois anos, ou antes, se houver necessidade.
O peixe-leão é uma espécie invasora originária do Indo-Pacífico, considerada predadora generalista e com alta capacidade reprodutiva. Nas águas brasileiras, o animal não enfrenta predadores naturais eficientes, o que facilita sua proliferação.







