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Meta patenta IA para simular usuários nas redes sociais, mas a empresa não fará

A Meta patenteou uma tecnologia de inteligência artificial que poderia simular a atividade de usuários em redes sociais após sua morte, levantando debates éticos.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
18 de fevereiro, 2026 · 01:33 2 min de leitura
Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock
Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock

A Meta, empresa por trás de gigantes como Facebook, Instagram e WhatsApp, registrou uma patente bem curiosa: uma inteligência artificial (IA) capaz de simular a atividade de uma pessoa nas redes sociais mesmo depois de muito tempo sem uso, ou até mesmo após o falecimento. O pedido original veio de Andrew Bosworth, diretor de tecnologia (CTO) da empresa, em 2023, e a patente foi concedida no fim de dezembro.

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Apesar de ter a tecnologia registrada em mãos, a Meta já avisou que não tem planos de desenvolver esse projeto. Em uma declaração, um porta-voz da empresa deixou claro que a ideia de criar um “clone digital” que continue interagindo por conta própria não deve sair do papel por enquanto. Mesmo assim, a patente existe e detalha como um sistema assim poderia funcionar, reproduzindo o comportamento de usuários que têm uma presença digital forte.

Como funcionaria o “clone digital” da Meta?

De acordo com o documento da patente, a IA conseguiria imitar diversas ações nas redes sociais. Isso inclui dar curtidas, fazer comentários e até interagir com os seguidores de uma pessoa. Em teoria, o sistema poderia ir além, simulando chamadas de áudio ou vídeo dentro das plataformas da Meta. A ideia inicial, no papel, seria ajudar quem quisesse dar um tempo das redes sociais sem “desaparecer” totalmente do mundo digital.

Porém, o próprio texto da patente reconhece que o impacto dessa tecnologia seria muito maior e mais delicado quando o usuário já tivesse morrido. Afinal, nessa situação, não haveria como a pessoa voltar para a rede social. A continuidade dessas interações digitais poderia trazer consequências permanentes para outras pessoas, o que levanta uma série de questões éticas e sociais.

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“Nesse cenário, a continuidade das interações digitais poderia gerar consequências permanentes para outras pessoas envolvidas.”

O debate ético da IA e o "além digital"

A discussão sobre ferramentas que simulam pessoas que já se foram não é novidade. Em 2021, a Microsoft também patenteou um chatbot parecido, mas desistiu da ideia depois que líderes da empresa a classificaram como “perturbadora”. Enquanto isso, algumas startups já estão explorando o mercado do "além digital", oferecendo serviços que criam chatbots baseados em pessoas falecidas, como é o caso de empresas como Replika AI e 2wai.

Esses sistemas, que são conhecidos como “deadbots”, têm gerado preocupação entre especialistas em direito, criadores de conteúdo e profissionais que estudam o luto. As dúvidas são muitas, incluindo os impactos sociais e éticos que a popularização de versões digitais de pessoas mortas poderia causar.

Para evitar usos indevidos de sua imagem e voz após a morte, algumas celebridades, como o ator Matthew McConaughey, já tomaram medidas legais para proteger seus traços. Além disso, especialistas em planejamento sucessório digital recomendam que as pessoas em geral estabeleçam limites claros para o uso de sua presença online e de tecnologias de IA em caso de falecimento, pensando no futuro de suas informações e interações na internet.

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