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Mapa dos acidentes muda em Feira de Santana: Centro ultrapassa Anel de Contorno no ranking do HGCA em 2026

Levantamento do primeiro trimestre aponta virada no perfil da violência no trânsito da Princesa do Sertão, com bairros como Tomba e Mangabeira também escalando posições na lista.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
25 de maio, 2026 · 19:35 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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O mapa da violência no trânsito de Feira de Santana mudou. Dados divulgados nesta segunda-feira (25) pelo Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) mostram que o Centro da cidade passou a concentrar o maior número de registros de acidentes atendidos pela unidade no primeiro trimestre de 2026, com 32 ocorrências. No mesmo período do ano anterior, quem ocupava o topo era a Avenida Eduardo Fróes da Mota, o Anel de Contorno, com 72 casos.

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O levantamento reúne notificações de vítimas atendidas pelo HGCA, hospital de referência em urgência e emergência para Feira de Santana e outros 126 municípios da Bahia. Os dados foram apresentados em coletiva de imprensa realizada na própria unidade, com participação de autoridades da saúde, do trânsito e representantes da sociedade civil.

Além do Centro, o bairro Tomba aparece em segundo lugar no ranking de 2026, com 29 registros, seguido por Mangabeira, com 24 ocorrências. A região de Maria Quitéria/São José soma 22 casos e fecha o grupo dos quatro locais mais críticos do primeiro trimestre deste ano. Em 2025, Tomba ocupava a quarta posição, com 36 registros, e Mangabeira não figurava entre os dez primeiros.

O Anel de Contorno, mesmo deixando a liderança, permanece entre os trechos mais perigosos. A via é um dos principais corredores viários da cidade, conectando rodovias federais e estaduais e concentrando intenso fluxo de caminhões, ônibus, motocicletas e veículos de passeio. Segundo informações divulgadas pelo Acorda Cidade, a avenida registrou 18 casos entre janeiro e março de 2026, caindo da primeira para a sexta posição.

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O perfil das vítimas atendidas no HGCA reforça um padrão preocupante. Cerca de 80% dos pacientes politraumatizados atendidos no hospital são vítimas de acidentes de trânsito, com predominância absoluta dos envolvendo motocicletas. Em média, 80% dos atendimentos por acidentes de trânsito estão relacionados a motociclistas, sendo a maioria homens com idade entre 16 e 35 anos. "Quando esses jovens não vão a óbito, muitos ficam com sequelas graves e permanentes", alertou a diretora-geral do HGCA, Cristiana França.

O impacto financeiro também é expressivo. O atendimento a vítimas de acidentes graves pode custar até R$ 5 mil por dia, com internações prolongadas, uso intensivo de tecnologia e equipes especializadas pressionando o orçamento do SUS. No estado da Bahia, o Conselho Estadual de Trânsito (Cetran) estima cerca de 3 mil mortes por ano no trânsito, com aproximadamente 45% envolvendo usuários de motocicletas.

Em resposta ao cenário, a Prefeitura de Feira de Santana lançou, em maio de 2026, a Semana Municipal de Trânsito integrada ao Maio Amarelo, com o tema "Desacelere, seu bem maior é a vida", incluindo ações educativas em bairros e distritos e foco na redução de acidentes envolvendo motociclistas. A Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) também confirmou a compra de novos etilômetros para intensificar as blitze da Lei Seca em pontos estratégicos da cidade.

A SMT foi autorizada ainda a desenvolver um sistema único de informações, em articulação com o Samu, as UPAs e o Cicom, com o objetivo de obter dados mais precisos sobre acidentes e produzir mapas de calor para identificar áreas de maior incidência e direcionar ações de prevenção. Para a diretora Cristiana França, "o Clériston é a última porta dessa cadeia. Por mais que o Estado invista em tecnologia e estrutura hospitalar, não queremos corredores cheios. Queremos menos acidentes, menos vítimas e mais qualidade de vida. Isso só será possível com educação e fiscalização efetiva no trânsito".

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