O telefone continua sendo a porta de entrada preferida dos golpistas no Brasil. Segundo relatório da organização Global Anti-Scam Alliance (GASA), chamadas telefônicas aparecem em 65% das tentativas de fraude registradas no país. O mesmo levantamento aponta que os brasileiros enfrentam, em média, uma tentativa de golpe a cada dia e meio — totalizando cerca de 252 abordagens por pessoa ao ano.
Diante desse cenário, a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT) publicou um conjunto de orientações para ajudar o consumidor a reconhecer contatos suspeitos antes de cair em armadilhas. A entidade destaca que criminosos costumam usar números parecidos com os oficiais de empresas e bancos, pressionam por respostas imediatas e pedem confirmação de senhas, dados pessoais ou códigos enviados por SMS.
O golpe da falsa central telefônica — em que criminosos se passam por atendentes de bancos ou órgãos públicos para obter dados sensíveis — dobrou de volume em 2025, segundo levantamento do Canaltech divulgado pela CNN Brasil. Os prejuízos financeiros das fraudes no Brasil chegam a R$ 99 bilhões, conforme estimativa do próprio relatório da GASA.
Para o diretor executivo da ABT, Gustavo Faria, "empresas sérias não pressionam o consumidor a fornecer informações sensíveis de maneira imediata". Segundo informações divulgadas pela entidade, sempre que houver dúvida durante uma ligação, a orientação é encerrar o contato e buscar diretamente os canais oficiais da empresa.
A ABT lista cinco cuidados principais. O primeiro é confirmar os canais oficiais antes de prosseguir com qualquer atendimento — seja por aplicativo, site ou central de relacionamento. O segundo é nunca compartilhar senhas, códigos de SMS, número completo do cartão ou qualquer dado bancário por telefone, e-mail ou aplicativo de mensagens.
O terceiro ponto é evitar clicar em links recebidos por SMS ou aplicativos sem verificar a origem. Links suspeitos podem redirecionar para páginas falsas criadas para capturar dados. O quarto alerta é observar a forma de comunicação: erros de ortografia, linguagem informal excessiva ou promessas vantajosas demais são indícios de golpe.
O quinto e mais importante sinal é o senso de urgência. Segundo a ABT, golpistas costumam inventar bloqueios de contas, cancelamentos de serviço ou falsas emergências financeiras para forçar a vítima a tomar uma decisão rápida sem pensar. Esse mecanismo de pressão é uma marca registrada das fraudes por telefone.
Na tentativa de ampliar a proteção dos consumidores, a ABT também destaca o programa Origem Verificada, desenvolvido em parceria com a Anatel e operadoras de telecomunicações. Segundo informações divulgadas pela entidade, o sistema permite identificar chamadas autenticadas diretamente na tela do celular, exibindo o nome da empresa junto a um selo de verificação — o que ajuda a combater o spoofing, prática em que criminosos falsificam números para parecerem contatos legítimos.
Os dados reforçam o tamanho do problema: pesquisa da TransUnion indica que 40% dos brasileiros já foram alvo de fraudes por telefone, e-mail ou mensagens de texto, com perdas médias de R$ 6.311 por vítima que caiu no golpe. A combinação de números expressivos e técnicas cada vez mais sofisticadas — incluindo uso de inteligência artificial para simular vozes — torna a atenção do consumidor uma das principais linhas de defesa.







