Se você está pensando em comprar um celular novo, um computador ou até mesmo um carro, prepare o bolso: o preço da memória RAM está subindo muito, e a conta deve chegar direto no seu próximo aparelho. A razão? A corrida das empresas de Inteligência Artificial (IA) por componentes que turbinam seus supercomputadores e data centers.
Essa demanda gigante está causando uma reviravolta no mercado global de memória, que é dominado por apenas três grandes fabricantes: Samsung, SK Hynix e Micron. Juntas, elas controlam mais de 90% de toda a produção. Como as empresas de IA aceitam pagar valores bem acima da média, o preço dos chips de memória já subiu 50% no final de 2025 e a expectativa é que aumente mais 50% até o fim de março de 2026, de acordo com informações do Wall Street Journal.
Produção se volta para a Inteligência Artificial
O que acontece é que as fábricas estão mudando completamente seu foco. Elas estão priorizando a produção da chamada memória de alta largura de banda (HBM), um tipo especial de memória essencial para os sistemas de IA mais avançados, como os da Nvidia. Para cada pedacinho de HBM produzido, três pedacinhos da memória comum (DRAM) deixam de ser fabricados.
Isso acontece porque a memória HBM é muito mais lucrativa para as fábricas agora. Ou seja, o que dá mais dinheiro acaba sendo a prioridade total nas linhas de montagem, deixando os eletrônicos que a gente usa no dia a dia em segundo plano. É uma matemática que pesa diretamente no bolso de quem vai comprar um aparelho novo.
Fábricas lotadas e sem previsão de alívio rápido
Não espere que essa situação melhore tão cedo. Construir novas fábricas de chips é um processo longo e caríssimo. A Micron, por exemplo, está erguendo uma 'megafábrica' de impressionantes 100 bilhões de dólares (o equivalente a cerca de 537 bilhões de reais) em Nova York, nos Estados Unidos.
No entanto, essa capacidade extra de produção só deve começar a equilibrar a oferta e a demanda global entre os anos de 2027 e 2028. Até lá, a indústria vai continuar operando com as máquinas que já existiam, que simplesmente não dão conta da explosão repentina na busca por memória que a IA trouxe.
Impacto nos eletrônicos e no seu bolso
Na prática, isso significa que a memória, tanto a RAM quanto o armazenamento (SSD/NVMe), que antes representava cerca de 10% do custo final de um aparelho, como um celular, pode chegar a até 30% do preço total. Com os estoques das grandes fabricantes já quase esgotados para 2026, as marcas de computadores e celulares não terão outra escolha a não ser repassar esse custo maior para nós, consumidores.
Essa mudança pode até fazer com que as vendas globais desses dispositivos diminuam. Outros setores também serão afetados: a indústria automotiva, que usa tipos de memória mais antigos, pode enfrentar atrasos na produção, algo parecido com o que vimos durante a pandemia. A era da IA está nos mostrando que a tecnologia tem seu preço, e ele está subindo.







