A briga dos homens mais ricos do mundo saiu da Terra e foi parar no espaço. Jeff Bezos, dono da Amazon, entrou com um pedido formal no governo dos Estados Unidos para barrar um plano audacioso de Elon Musk, da SpaceX: lançar nada menos que um milhão de satélites na órbita do nosso planeta.
A ideia de Musk é criar uma rede de "data centers voadores" para alimentar sistemas de inteligência artificial aqui na Terra. Segundo a SpaceX, essa operação no espaço seria até mais barata do que manter a infraestrutura em solo. O projeto é parte da estratégia do bilionário de integrar suas empresas, incluindo a rede social X.
Para a Amazon, a proposta é "impossível" e "especulativa". A empresa de Bezos, que também está montando sua própria rede de satélites para internet, acusou a SpaceX de não fornecer detalhes técnicos essenciais, como o tamanho dos equipamentos, a altitude exata e os custos da operação.
O maior medo da Amazon é o risco de monopólio. Se uma única empresa conseguir colocar tantos satélites no céu, ela poderia, na prática, controlar as melhores "vagas" na órbita e as frequências de rádio, impedindo que qualquer concorrente consiga operar. Seria como um dono de uma rua que não deixa mais ninguém passar.
A Amazon chegou a fazer as contas para provar que o plano não se sustenta. Segundo seus cálculos, mesmo que a SpaceX batesse o recorde mundial de lançamentos todos os anos, levaria cerca de 220 anos para atingir a meta. Além disso, a reposição dos satélites, que têm vida útil limitada, exigiria uma capacidade de lançamento 44 vezes maior que a atual.
Atualmente, a SpaceX já domina o setor com a Starlink, que oferece internet em várias partes do mundo, inclusive aqui na nossa região. A empresa já é dona de cerca de dez mil dos 14 mil satélites ativos em órbita. O novo plano multiplicaria esse número de forma gigantesca.
A confusão não é só entre as empresas. Astrônomos e ativistas preocupados com o lixo espacial também estão em campanha contra o projeto. Eles temem que um céu tão congestionado possa atrapalhar a observação do universo e aumentar o risco de colisões.
Agora, a bola está com a Federal Communications Commission (FCC), a agência reguladora de telecomunicações dos EUA. A decisão deles vai definir o futuro da exploração espacial comercial e quem terá o direito de usar o céu acima de nossas cabeças.







