A corrida pela internet via satélite ganhou um novo e poderoso capítulo. Na última quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, o foguete Ariane 64, a versão mais robusta da família Ariane 6, decolou do Centro Espacial Europeu em Kourou, na Guiana Francesa. A missão? Levar ao espaço 32 satélites da constelação Amazon Leo, marcando uma iniciativa ambiciosa da empresa de Jeff Bezos para competir de frente com a Starlink, de Elon Musk, no mercado global de conectividade espacial.
Os 32 satélites foram liberados com sucesso e seguiram para suas órbitas planejadas, um momento acompanhado de perto por equipes técnicas e autoridades no centro de controle. Para a Arianespace, empresa responsável pelo lançamento, o sucesso da operação não só confirmou a grande capacidade do Ariane 6 para missões complexas, como também sua habilidade em transportar cargas pesadas para o espaço.
Amazon Mira Rede Gigante para Conectar o Mundo
O objetivo da Amazon com a constelação Leo é oferecer acesso à internet de alta velocidade em qualquer canto do planeta, inclusive em áreas remotas onde a conexão tradicional é um desafio. Embora já conte com 175 satélites em órbita, o plano de Jeff Bezos é ambicioso: expandir essa rede para cerca de 3.200 unidades. É um movimento que acompanha a tendência das grandes redes formadas por milhares de pequenos satélites, que prometem revolucionar a forma como nos conectamos.
A briga nesse setor é intensa. A Starlink, da SpaceX de Elon Musk, atualmente lidera o segmento com uma constelação impressionante de aproximadamente 10 mil satélites ativos. A disputa entre essas gigantes da tecnologia é estratégica, tanto do ponto de vista comercial quanto geopolítico, já que a conectividade espacial é crucial para comunicações, serviços e segurança digital em todo o mundo.
Ariane 64: O Músculo da Europa no Espaço
Para cumprir a missão de levar tantos satélites, o Ariane 64 utilizou quatro propulsores auxiliares, o que dobrou sua potência em comparação com as versões anteriores do foguete. Essa configuração permitiu que ele transportasse o maior número de satélites já enviado por um foguete da família Ariane. Essa adaptação é fundamental para ampliar a competitividade europeia no aquecido mercado de lançamentos comerciais, que vê cada vez mais players e demandas.
“Contratos como o da Amazon fortalecem o programa Ariane 6. A expectativa é ampliar gradualmente o número de lançamentos anuais”, afirmam executivos da Arianespace, confiantes no futuro do foguete como peça central da indústria espacial europeia.
Apesar do sucesso, especialistas ressaltam a importância de a Europa buscar a diversificação de clientes para garantir maior autonomia no setor espacial. Ainda assim, a parceria com a Amazon é vista como crucial neste momento, reforçando a confiança no lançador e podendo estimular novos investimentos no setor espacial do continente.
Além do acordo com a Arianespace, a Amazon mostra que está com o pé no acelerador e não coloca todos os ovos na mesma cesta. A empresa adquiriu mais 10 lançamentos do foguete Falcon 9, da SpaceX, e dobrou seu contrato com a Blue Origin, passando de 12 para 24 missões com o foguete New Glenn. Isso demonstra uma estratégia robusta para acelerar a implantação de sua constelação Leo e garantir seu lugar de destaque na nova era da internet via satélite.







