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Computadores podem consumir metade da energia com novo nanolaser

Pesquisadores da Dinamarca desenvolveram um nanolaser que promete revolucionar a tecnologia, permitindo computadores e smartphones mais rápidos e com até 50% menos consumo de energia, usando luz para transmitir dados.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
13 de fevereiro, 2026 · 10:53 3 min de leitura
Novidade pode mudar como os dispositivos se comunicam, economizando energia (Imagem: josefkubes/Shutterstock)
Novidade pode mudar como os dispositivos se comunicam, economizando energia (Imagem: josefkubes/Shutterstock)

Imagine um futuro onde seu computador ou smartphone não só funciona mais rápido, mas também gasta bem menos energia. Pesquisadores da Universidade Técnica da Dinamarca (DTU) estão transformando essa visão em realidade com uma tecnologia que promete revolucionar o mundo digital: um nanolaser incrivelmente pequeno e eficiente.

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Este avanço é um passo gigantesco para a criação de computadores, celulares e até mesmo grandes centros de dados que podem operar de forma mais ágil, "mais fria" e, o mais importante, consumir a metade da energia que consomem hoje. O estudo detalhando essa inovação foi publicado na prestigiada revista científica Science Advances.

Chega de "calor": a luz vai dominar os chips

Hoje em dia, a internet já usa a luz para enviar dados por meio dos cabos de fibra óptica. No entanto, dentro dos computadores e smartphones, a história é diferente: os dados ainda correm por sinais elétricos em circuitos. E qual o problema disso? Bem, a eletricidade gera calor e limita a velocidade de processamento.

A grande sacada dos pesquisadores da DTU é levar a luz para dentro do microchip. Com este nanolaser, os dados deixam de ser transmitidos por esses sinais elétricos e passam a ser enviados por pequenas partículas de luz, os fótons. O professor Jesper Mørk, um dos responsáveis pelo trabalho, ao lado de Meng Xiong e Yi Yu, explica a importância desse desenvolvimento.

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"O nanolaser abre a possibilidade de criar uma nova geração de componentes que combinam alto desempenho com tamanho mínimo. Isso pode ocorrer na tecnologia da informação, por exemplo, onde lasers ultrapequenos e energeticamente eficientes podem reduzir o consumo de energia em computadores, ou no desenvolvimento de sensores para o setor de saúde, onde a extrema concentração de luz do nanolaser pode fornecer imagens de alta resolução e biossensores ultrassensíveis."

Menos energia, mais velocidade e amigável ao clima

Quando a luz é usada para transmitir dados dentro dos chips, a tecnologia digital se torna mais rápida, gera menos calor e é muito mais amigável ao nosso planeta. Isso acontece porque esses pequenos lasers conseguem gerar sinais luminosos que viajam com quase nenhuma perda de energia. Para os computadores, Mørk estima que o consumo energético poderia ser reduzido em até 50%.

O nanolaser da DTU é essencial para essa mudança. Para que os chips do futuro possam enviar sinais luminosos internamente, eles vão precisar de milhares desses lasers minúsculos e super eficientes. A equipe da DTU conseguiu criar um dispositivo que supera os limites atuais de miniaturização. Eles construíram o laser em uma membrana semicondutora, fazendo com que elétrons e luz se concentrem em uma área minúscula.

O segredo está em uma estrutura especial que “prende” a luz, chamada nanocavidade. Ela concentra a radiação em um espaço microscópico com uma intensidade impressionante, algo que antes era considerado impossível. Essa estrutura de confinamento foi inicialmente projetada por um grupo liderado pelo professor Ole Sigmund, também da DTU.

Quando o laser recebe um feixe de luz externo, tanto a luz quanto os elétrons se juntam nesse pequeno espaço, permitindo que ele funcione em temperatura ambiente e com um consumo de energia surpreendentemente baixo. Essa tecnologia foi desenvolvida em uma "sala limpa" no laboratório DTU Nanolab, garantindo a precisão necessária para a fabricação de componentes tão pequenos.

O que esperar do futuro com essa tecnologia?

Ainda há um desafio pela frente: fazer com que o nanolaser seja alimentado eletricamente. Se os cientistas conseguirem isso, a revolução será ainda maior. As aplicações são vastas e empolgantes:

  • Computadores e Smartphones: Poderiam funcionar com muito mais desempenho e gastar bem menos energia.
  • Centros de Dados: O consumo de energia seria drasticamente reduzido, trazendo uma economia significativa e um impacto positivo no clima.
  • Saúde: A tecnologia permitiria criar sensores ultrassensíveis e sistemas de imagem com altíssima resolução, ajudando em diagnósticos e tratamentos.

Os pesquisadores estimam que os últimos desafios técnicos para tornar essa tecnologia uma realidade no nosso dia a dia poderão ser superados dentro de um prazo de cinco a dez anos. Um futuro mais rápido, eficiente e sustentável está cada vez mais próximo, graças a esses pequenos lasers.

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