O Banco Central do Brasil deu um passo importante para expandir o uso do Pix por aproximação. Por meio da Instrução Normativa BCB nº 746/2026, o BC acabou com o limite diário de R$ 500 em transações realizadas por meio do Pix por aproximação. A nova regra entra em vigor em 1º de outubro de 2026.
Com a alteração, deixa de vigorar o artigo 16-A da Instrução Normativa BCB nº 512, de 2024, que estabelecia um limite máximo de R$ 500 por transação para pagamentos realizados por aproximação. Com a mudança, as instituições financeiras serão obrigadas a permitir que os próprios usuários gerenciem seus tetos, solicitando o aumento ou a redução dos valores transacionados diretamente pelos canais de atendimento ou aplicativos bancários, conforme o seu perfil de consumo.
As modalidades por aproximação passam a ser equiparadas às transferências tradicionais por chave ou QR Code. Isso significa que os cidadãos poderão utilizar os mesmos limites gerais já configurados em suas contas bancárias, mantendo a autonomia para solicitar aumentos ou reduções de valores diretamente em seus aplicativos financeiros. Até essa data, continuam vigentes os limites atualmente previstos para pagamentos por aproximação.
Disponível para os correntistas desde fevereiro de 2025, o Pix por aproximação opera com uma dinâmica muito semelhante à dos tradicionais cartões de crédito e débito baseados na tecnologia contactless (NFC). A modalidade permite realizar pagamentos apenas aproximando o celular ou outro dispositivo compatível da maquininha, eliminando a necessidade de escanear QR Codes ou inserir dados manualmente.
A funcionalidade está disponível em dispositivos Android por meio de carteiras digitais como Google Pay e Samsung Wallet. Para utilizá-la, basta associar a conta bancária à carteira digital uma única vez. Depois disso, no momento do pagamento, é só aproximar o aparelho da maquininha e confirmar a transação.
Vale um alerta importante para quem usa iPhone: até o momento, não é possível usar o Pix por aproximação no iPhone, pois o sistema do Apple Pay segue sem suporte à modalidade porque a Apple não aderiu às condições técnicas estabelecidas pelo Banco Central do Brasil para esse fim.
Em relação à adesão, a modalidade ainda enfrenta desafios. Em julho de 2025, cinco meses depois do lançamento, apenas 35,3 mil transações nessa opção tinham sido feitas. Em novembro do ano passado, o número de transferências ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 milhão. O salto financeiro, porém, é notável: os valores movimentados passaram de R$ 95,1 mil em julho de 2025 para R$ 568,73 milhões em janeiro deste ano.
No varejo físico, o crescimento do Pix por aproximação esbarra em dois principais obstáculos: o desconhecimento dos consumidores e lojistas acerca da funcionalidade e as barreiras impostas pela Apple para acesso às APIs de NFC do sistema iOS. A expectativa é que o fim do teto fixo estimule a adoção da ferramenta, especialmente para compras de valor mais alto.
O Pix como um todo segue dominante no sistema de pagamentos brasileiro. O meio de pagamento, em pouco mais de cinco anos de existência, tem se consolidado como a forma de realizar transações mais utilizada pelos brasileiros, sendo usado por 76,4% da população. Desde que foi criada, a plataforma já movimentou mais de R$ 75,4 trilhões e contabilizou cerca de 181,6 bilhões de operações. Segundo Gabriel Galípolo, presidente do BC, o meio de pagamento foi um dos fatores mais relevantes para a bancarização dos brasileiros ao longo dos últimos anos.







