Um novo estudo internacional revelou que os incêndios na Amazônia e no Cerrado em 2024 foram muito mais destrutivos para o meio ambiente do que os órgãos oficiais estimavam. Com a ajuda de inteligência artificial, cientistas descobriram que a liberação de gases poluentes pode ter sido até três vezes maior do que o calculado anteriormente.
O levantamento aponta que a atividade do fogo atingiu o nível mais alto das últimas duas décadas. A situação foi agravada por uma combinação perigosa de seca severa e desmatamento, transformando vastas áreas de floresta em brasas que queimaram por dias seguidos, mesmo sem chamas altas.
Para chegar a esses números, os pesquisadores analisaram dados de satélite focados no monóxido de carbono. Como esse gás é mais fácil de identificar do espaço do que o gás carbônico comum, ele serviu como uma digital precisa para mostrar o tamanho real do estrago deixado pelas queimadas no Brasil, Bolívia e Paraguai.
A pesquisa mostrou que os modelos tradicionais de contagem não conseguem captar a fumaça de forma completa, ignorando fontes importantes de poluição. Na prática, isso significa que o impacto no aquecimento do planeta é muito pior do que o que estava sendo registrado nos papéis até agora.
A fumaça gerada pelos incêndios, concentrada principalmente na fronteira entre o Brasil e a Bolívia, não ficou restrita à mata. A poluição se espalhou por uma área de 4 milhões de quilômetros quadrados, afetando diretamente a qualidade do ar que a população respira em diversas regiões.
O trabalho foi liderado pela Universidade Técnica de Dresden e contou com apoio da Agência Espacial Europeia. O uso da tecnologia de ponta agora deve forçar uma revisão global sobre como o mundo calcula os danos causados pelo fogo, já que os métodos antigos se mostraram insuficientes diante da realidade das chamas.







