Uma nova onda de tecnologia está chegando ao mercado e promete monitorar o que acontece dentro da sua cabeça. Dispositivos vestíveis, como faixas de cabeça e fones especiais, já conseguem coletar sinais elétricos do cérebro para medir o foco, o estresse e até reações emocionais de quem os utiliza.
O problema é que esse avanço está correndo muito mais rápido do que as leis. Enquanto empresas faturam alto com esses dados, especialistas alertam que as pessoas estão entregando informações íntimas sem saber como elas serão usadas no futuro, já que os termos de uso costumam ser complexos e pouco claros.
Um caso recente no Chile ligou o sinal de alerta após a Justiça proibir a venda de um desses aparelhos. Um senador descobriu que, ao aceitar as regras da empresa, estava dando permissão eterna para o uso de seus dados cerebrais. A Suprema Corte chilena decidiu que isso violava o direito à integridade mental e mandou apagar os registros.
Diferente de uma senha que você pode mudar ou de uma localização que você pode desligar, os dados do cérebro são permanentes. Eles revelam padrões de comportamento que nem o próprio dono tem consciência, o que abre brechas perigosas para o uso dessas informações por anunciantes ou empresas de inteligência artificial.
Atualmente, o setor de neurotecnologia é uma área cinzenta na lei. Muitos desses produtos são vendidos como itens de "bem-estar", fugindo das regras rigorosas aplicadas a equipamentos de saúde. Isso permite que as empresas guardem os dados por tempo indeterminado e muitas vezes impeçam o usuário de acessar o próprio histórico.
Nos Estados Unidos e na Europa, as primeiras leis específicas começaram a surgir este ano para tentar frear esse abuso. A previsão é que esse mercado movimente mais de 55 bilhões de dólares na próxima década, transformando a nossa atividade cerebral na nova mina de ouro das gigantes da tecnologia.







