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Buraco negro BiRD de 100 milhões de sóis detectado pelo James Webb

James Webb detecta o buraco negro BiRD, com cerca de 100 milhões de sóis, a 12,5 mil milhões de anos‑luz no universo primordial.

Redação ChicoSabeTudo
05 de novembro, 2025 · 12:57 2 min de leitura
(Esquerda): Ilustração de um buraco negro supermassivo em processo dealimentação. (Direita): Os "pontos vermelhos" identificados na região do céu aoredor do quasar J1030. BiRD é o objeto no centro: ele se destaca dos outrospontos vermelhos por estar mais próximo e, portanto, ser mais brilhante (Créditoda imagem: F. Loiacono, NASA, ESA, CSA).
(Esquerda): Ilustração de um buraco negro supermassivo em processo dealimentação. (Direita): Os "pontos vermelhos" identificados na região do céu aoredor do quasar J1030. BiRD é o objeto no centro: ele se destaca dos outrospontos vermelhos por estar mais próximo e, portanto, ser mais brilhante (Créditoda imagem: F. Loiacono, NASA, ESA, CSA).

O Telescópio Espacial James Webb revelou um objecto inesperado no Universo antigo: um buraco negro supermassivo baptizado BiRD. Segundo a equipa do Instituto Nacional de Astrofísica (INAF), esse objecto existiu há cerca de 10 bilhões de anos e encontra‑se a aproximadamente 12,5 mil milhões de anos‑luz da Terra.

Como foi detectado

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A descoberta apoiou‑se em imagens e espectros obtidos com o instrumento NIRCam na região do quasar J1030+0524. As assinaturas espectrais de hidrogénio ionizado e hélio permitiram estimar tanto a distância como a massa do sistema. A equipa calculou que o buraco negro central tem cerca de 100 milhões de sóis, com base nas propriedades espectrais observadas.

O BiRD destacou‑se como um ponto brilhante e pontual que não constava nos catálogos conhecidos.

“Notámos o BiRD: um objecto brilhante, pontual, que não era uma estrela e não constava nos catálogos existentes”, disse Federica Loiacono, investigadora do INAF e líder do estudo.

O que significa

Os autores incluem o BiRD na família dos chamados pequenos pontos vermelhos, objectos compactos detectados pelo JWST no Universo primordial cuja natureza ainda é debatida. Ao comparar o BiRD com outros dois objectos semelhantes, a equipa encontrou semelhanças importantes. Será que esses sistemas evoluíram mais depressa do que se pensava?

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Esses resultados também desafiam previsões que apontavam para um declínio desses objectos durante o chamado “meio‑dia cósmico” — a fase de intensa formação estelar ocorrida cerca de quatro mil milhões de anos após o Big Bang. Em vez disso, a equipa concluiu que os pequenos pontos vermelhos continuaram relativamente numerosos nessa época.

Para explicar a fraca emissão em raios‑X que se observa neste tipo de objectos, os investigadores sugerem a presença de espessas camadas de gás e pó que absorvem radiação de alta energia. A luz no infravermelho, por outro lado, conseguiu escapar com mais facilidade, o que facilitou a detecção pelo NIRCam.

  • A detecção baseou‑se em imagens e espectros do NIRCam na região do quasar J1030+0524.
  • Assinaturas espectrais de hidrogénio e hélio permitiram estimativas de distância e massa.
  • A massa estimada do buraco negro central foi de cerca de 100 milhões de sóis.

A equipa anunciou que continuará a procurar outros exemplos desta classe, tirando partido da capacidade do JWST para estudar o Universo primordial com detalhe inédito. O trabalho foi publicado a 30 de outubro na revista Astronomy & Astrophysics.

“O JWST abriu uma nova fronteira na astrofísica extragaláctica, revelando objetos cuja existência nem sequer suspeitávamos”, disse Loiacono.

Em suma: a descoberta do BiRD mostra que o céu primordial ainda guarda surpresas e que há muito por descobrir sobre os primeiros buracos negros.

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