As grandes empresas de tecnologia mudaram o discurso para justificar os cortes de funcionários. Se antes a desculpa era o excesso de contratações na pandemia, agora a vilã da vez é a Inteligência Artificial (IA), usada como principal argumento para as demissões em massa que voltaram a assombrar o setor.
Gigantes como Google, Amazon e Meta afirmam que as novas ferramentas permitem fazer muito mais trabalho com menos gente. Mark Zuckerberg, da Meta, já avisou que os próximos anos serão de transformação profunda, mantendo contratações apenas para áreas muito específicas e estratégicas.
Na prática, a IA está sendo usada para automatizar tarefas que antes dependiam de humanos, como a criação de códigos de programação e suporte técnico. Especialistas acreditam que as empresas usam esse avanço tecnológico para tentar suavizar a imagem negativa que as demissões causam perante o público.
Além da produtividade, existe uma questão financeira pesada no jogo. As Big Techs planejam investir cerca de 650 bilhões de dólares em IA nos próximos anos. Para equilibrar as contas e pagar essa conta bilionária, elas estão cortando gastos com salários e benefícios de milhares de trabalhadores.
A Amazon é um exemplo claro dessa estratégia: só este ano, a empresa já mandou embora mais de 16 mil funcionários. Ao mesmo tempo, a companhia anunciou que pretende injetar centenas de bilhões de dólares no desenvolvimento de novas tecnologias de inteligência artificial.
Para o mercado financeiro, esses cortes funcionam como um sinal de disciplina. Mesmo que a economia com as demissões não cubra todo o investimento em tecnologia, os diretores das empresas querem mostrar aos investidores que estão focados em lucrar e manter os custos sob controle.







