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Austrália proíbe crianças de 16 anos ou menos nas redes sociais

A Austrália proíbe menores de 16 anos nas redes sociais, como TikTok e Instagram, com multas milionárias. A medida, replicada pela Malásia, visa proteção, mas especialistas alertam para riscos no desenvolvimento e desafios de implementação.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
10 de dezembro, 2025 · 11:00 3 min de leitura
Banimento de crianças nas redes sociais começa na Austrália e inspira países como a Malásia (Imagem: Veja / Shutterstock)
Banimento de crianças nas redes sociais começa na Austrália e inspira países como a Malásia (Imagem: Veja / Shutterstock)

A Austrália acaba de implementar uma das medidas mais transformadoras em relação ao uso da tecnologia e à proteção online. A partir desta terça-feira, 10 de maio, plataformas como TikTok e Instagram não podem mais permitir contas de crianças e adolescentes com menos de 16 anos. Quem descumprir a regra pode enfrentar multas milionárias.

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A decisão do governo australiano tem um propósito claro: proteger os jovens. A ideia é blindá-los de perigos como o cyberbullying, a exploração sexual e os golpes financeiros que, infelizmente, são comuns no ambiente digital.

O primeiro-ministro Anthony Albanese chamou essa ação de “uma das maiores mudanças sociais e culturais do país”.

A Austrália não está sozinha nessa. Países como a Malásia já anunciaram que farão o mesmo a partir do ano que vem, esquentando o debate global sobre o papel das redes sociais na vida de crianças e adolescentes.

Proteção ou prejuízo? Especialistas alertam sobre os dois lados da moeda

Enquanto o governo australiano e outros países veem o bloqueio total como uma necessidade urgente, muitos especialistas têm uma visão diferente. Pesquisadores de universidades renomadas como NTU, SMU e NUS apontam que proibir o acesso pode, na verdade, prejudicar o desenvolvimento saudável dos mais novos. Para eles, a construção da identidade, a socialização e o aprendizado digital são partes importantes da vida moderna que acontecem também online.

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Plataformas como o YouTube, por exemplo, muitas vezes servem como um espaço para jovens explorarem hobbies e interesses que talvez não encontrem em suas comunidades locais. Além disso, tirar o acesso de forma abrupta pode tornar mais difícil a transição para a vida digital quando eles finalmente atingirem a idade permitida.

Esses críticos defendem que políticas mais graduais seriam mais eficazes. A ideia é ensinar o uso consciente e seguro da internet, em vez de simplesmente impor uma abstinência total.

Como a Austrália vai aplicar o banimento e os desafios da fiscalização

Para garantir que a nova lei seja respeitada, a Austrália estipulou multas que podem chegar a 49,5 milhões de dólares australianos para as plataformas que não bloquearem os menores de 16 anos. A Malásia, por sua vez, ainda não detalhou como fará a fiscalização, mas já cogita a exigência de confirmação de idade por meio de passaportes e documentos oficiais.

No entanto, essa abordagem de verificação de idade levanta preocupações importantes:

  • Coleta excessiva de dados: A necessidade de documentos para provar a idade pode levar à coleta de muitas informações sensíveis dos usuários.
  • Riscos de vazamento: Quanto mais dados são coletados, maiores as chances de vazamentos e uso indevido dessas informações.
  • Migração para áreas menos seguras: Crianças e adolescentes podem simplesmente migrar para ambientes menos monitorados, como jogos online, onde não há restrições.
  • Ineficácia em algumas plataformas: Nem todas as plataformas exigem uma conta, como o próprio YouTube, tornando o banimento difícil de ser aplicado em todos os lugares.

Outro ponto levantado pelos críticos é que os jovens são, em geral, muito “habilidosos” com a tecnologia e podem facilmente encontrar maneiras de contornar as restrições impostas.

Além da proibição: o papel das empresas de tecnologia

O debate também coloca em questão a responsabilidade das próprias empresas de tecnologia. Especialistas alertam que proibir o acesso pode fazer com que as plataformas se sintam menos obrigadas a investir em segurança infantil, argumentando que menores nem deveriam estar ali.

Em vez de apenas proibir, pesquisadores sugerem outras medidas para tornar as redes sociais mais seguras para todos. Limitar recursos como o “autoplay” (reprodução automática) e o “scroll infinito” (rolagem sem fim), reavaliar os sistemas de recomendação de conteúdo e criar regras mais rígidas para materiais potencialmente prejudiciais são algumas das propostas.

Um ponto em comum em todas essas discussões é que os jovens precisam ter voz. Afinal, são eles que serão diretamente afetados pelas decisões tomadas hoje sobre o futuro digital.

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