Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Serviço

Austrália Proíbe Redes Sociais para Menores de 16 Anos

A Austrália iniciou um banimento inédito que impede menores de 16 anos de usar redes sociais como TikTok e Instagram. A medida, observada globalmente, visa proteger a saúde mental dos jovens e coloca plataformas sob pressão.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
10 de dezembro, 2025 · 12:03 4 min de leitura
(Imagem: Towfiqu ahamed barbhuiya/Shutterstock)
(Imagem: Towfiqu ahamed barbhuiya/Shutterstock)

A Austrália deu um passo gigante e inédito nesta quarta-feira (10) ao proibir que jovens menores de 16 anos mantenham contas ativas nas principais redes sociais. A medida, que já está em vigor, força plataformas como TikTok, Instagram e X (antigo Twitter) a bloquear milhões de usuários adolescentes, sob pena de multas que podem chegar a impressionantes R$ 174 milhões.

Publicidade

A iniciativa australiana não é apenas uma notícia local; ela se tornou um verdadeiro experimento social e legal, acompanhado de perto por governos ao redor do mundo. Enquanto centenas de milhares de contas são desativadas, o país enfrenta desafios complexos que envolvem a verificação de idade, a privacidade digital e a própria liberdade de expressão de uma geração que cresceu conectada.

Por Que a Austrália Fez Isso?

O governo australiano defende a proibição como uma resposta urgente a problemas que se agravaram nos últimos anos. Entre as principais preocupações estão:

  • Bullying digital e riscos de abuso.
  • Pressão estética e a busca por padrões irreais.
  • A disseminação de informações falsas (desinformação).
  • Preocupações crescentes com a saúde mental dos adolescentes, incluindo a dependência de telas.

Para o primeiro-ministro Anthony Albanese, o objetivo é claro: "garantir que crianças tenham infância" e diminuam a dependência excessiva das telas. Ele classificou o dia da implementação da lei como "um dia de orgulho" para as famílias australianas.

Quais Plataformas Foram Afetadas?

Publicidade

A lista de redes sociais obrigadas a bloquear usuários menores de 16 anos é extensa e inclui algumas das mais populares entre os jovens. Além de TikTok, Instagram e X, estão na mira da lei:

  • YouTube
  • Snapchat
  • Reddit
  • Facebook
  • Threads
  • Twitch

O impacto já é visível. O TikTok, por exemplo, informou ter removido mais de 200 mil perfis de adolescentes. O governo estima que "centenas de milhares" de contas ainda devem sair do ar nos próximos dias.

É importante destacar que nem todos os aplicativos foram incluídos nesta primeira fase. Plataformas como WhatsApp, Messenger, Discord, Roblox, Steam, Pinterest, Google Classroom e YouTube Kids ficaram de fora. As autoridades australianas, no entanto, avisam que a lista está sob revisão e pode mudar se os adolescentes migrarem para esses espaços como alternativa.

Como Funciona a Verificação?

A lei não impôs um método único de verificação, dando liberdade às empresas para desenvolverem seus próprios sistemas. As plataformas podem usar uma combinação de diferentes abordagens, como:

  • Reconhecimento facial.
  • Estimativa de idade baseada no comportamento do usuário.
  • Solicitação de documentos complementares (mas não como única forma de comprovação).
  • Uso de verificadores externos.

A Despedida e as Primeiras Reações

Antes do banimento entrar em vigor, as redes sociais foram tomadas por uma onda de despedidas. Adolescentes postaram vídeos, montagens e contagens regressivas, misturando humor, nostalgia e uma boa dose de ansiedade.

Para muitos, o "último post" virou um tipo de ritual de passagem, marcando a perda de espaços virtuais que eram essenciais para amizades e rotinas. Algumas histórias viralizaram, como a de Leila, que, em seu perfil administrado pela mãe, escreveu:

"Adeus, TikTok. Vejo você daqui 4 anos".
Outro jovem, Anh Tuan, com milhares de seguidores, prometeu:
"voltarei em 2 ou 3 anos".

A decisão trouxe medo de isolamento para alguns, que disseram que se sentiriam "totalmente sozinhos" até completarem 16 anos. Em comunidades de nicho, como grupos LGBTQIA+ ou adolescentes de áreas remotas, o bloqueio gerou preocupação sobre o acesso à informação e ao suporte emocional.

Mas nem tudo foi lamento. Parte dos adolescentes reconheceu que a medida pode ser positiva. Uma usuária, por exemplo, comentou:

"Talvez seja para o nosso bem"
, citando o excesso de tempo gasto em frente às telas.

Críticas e o Olhar do Mundo

Apesar das boas intenções, o modelo australiano também enfrenta críticas. Especialistas alertam para o risco de a proibição empurrar os jovens para espaços digitais menos seguros, com pouca moderação e maiores perigos. Organizações de direitos digitais questionam o uso de biometria para verificar a idade e apontam que adolescentes podem facilmente usar VPNs (redes privadas virtuais) para contornar as restrições.

As próprias plataformas, como Meta (responsável por Instagram e Facebook), YouTube e Reddit, argumentam que o banimento pode remover ferramentas de segurança importantes e que a medida não resolve problemas estruturais do ambiente digital.

Enquanto a Austrália lida com uma ação na Suprema Corte movida por adolescentes que alegam violação do direito à comunicação política, o experimento é observado de perto. Países como Dinamarca, Malásia, Nova Zelândia, membros da União Europeia e vários estados dos EUA já estudam medidas semelhantes, inspirados no que acontece agora na Oceania.

A Austrália se posiciona como um "marco" que pode mudar a relação dos jovens com a tecnologia. Resta saber se esse adeus forçado trará os resultados esperados ou criará novos desafios no mundo digital.

Leia também