O mundo da inteligência artificial (IA) está fervendo, e a Amazon está no centro das atenções. A gigante do varejo e da tecnologia está em conversas para fazer um investimento massivo de cerca de US$ 10 bilhões (algo como R$ 55 bilhões) na OpenAI, a empresa por trás do famoso ChatGPT.
Embora as negociações ainda estejam no começo e nada esteja assinado, esse possível acordo pode ser um dos maiores já feitos no campo da IA. E não é apenas uma questão de dinheiro. A ideia é que a OpenAI também use a infraestrutura da Amazon, especialmente os chips de inteligência artificial da empresa.
Por que a Amazon quer investir na OpenAI?
No fundo, tudo isso faz parte de uma corrida intensa no mercado de IA. A Amazon quer fortalecer sua posição e a OpenAI busca diversificar seus parceiros. Por anos, a OpenAI esteve muito ligada à Microsoft, que já investiu mais de US$ 13 bilhões (uns R$ 71 bilhões) e tem cerca de 27% da companhia. Agora, depois de uma reestruturação em outubro, a OpenAI ganhou mais liberdade para buscar outros acordos.
Um dos pontos principais da conversa é o uso dos chips Trainium, que a Amazon desenvolveu especialmente para tarefas de IA. Para a OpenAI, isso seria ótimo, pois daria uma alternativa aos chips da Nvidia e às soluções do Google. Isso significa menos dependência de um único fornecedor, algo crucial num momento em que treinar e rodar modelos de IA gigantes fica cada vez mais caro e exige muito poder computacional.
“O custo de treinar e operar modelos de IA em grande escala é cada vez maior, exigindo parcerias estratégicas em infraestrutura.”
A necessidade de infraestrutura é tão grande que a OpenAI já fechou outros acordos bilionários, como com a Nvidia e a Oracle. Além disso, em novembro, a empresa assinou um contrato de US$ 38 bilhões para usar a capacidade de nuvem da AWS, que é o braço de computação em nuvem da própria Amazon.
A corrida da IA vai além dos chips
Essa busca por parceiros não se limita apenas à infraestrutura. A disputa por espaço no mundo da IA acontece em diversas frentes. Por exemplo, a OpenAI anunciou recentemente um acordo com a Disney. Por três anos, a OpenAI poderá usar mais de 200 personagens icônicos, do Mickey a figuras da Marvel e Star Wars, no Sora, seu aplicativo de geração de vídeos por IA. A Disney, por sua vez, investiu US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) em ações da OpenAI, mas com um detalhe importante: a exclusividade para usar os personagens vale só por um ano. Depois disso, a Disney poderá fechar acordos com outras plataformas de IA, mostrando que quer testar a tecnologia sem se amarrar a ninguém.
Do lado da Amazon, também vemos essa lógica de parcerias em outras áreas. Nesta semana, o Instagram lançou um aplicativo de Reels para TVs, que estreou primeiro na plataforma Fire TV da Amazon. A meta é levar os vídeos curtos para as salas de estar e competir com o YouTube pela atenção das pessoas.
Todos esses movimentos deixam claro que a competição na área de inteligência artificial é ampla. Ela envolve desde a fabricação de chips, passando pela computação em nuvem, até a criação de conteúdo e a forma como ele chega às pessoas. Grandes empresas estão se cruzando em muitas frentes para garantir seu lugar nesse novo e movimentado tabuleiro tecnológico.







