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Acordo de tecnologia entre EUA e Reino Unido é pausado em meio a disputas comerciais

Um pacto de tecnologia crucial entre EUA e Reino Unido, para IA e quântica, foi suspenso pelos americanos por impasses comerciais. Londres busca reativar o diálogo.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
17 de dezembro, 2025 · 12:52 3 min de leitura
Presidente dos EUA, Donald Trump, e primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer (Imagem: Chip Somodevilla e Martin Suker - Shutterstock)
Presidente dos EUA, Donald Trump, e primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer (Imagem: Chip Somodevilla e Martin Suker - Shutterstock)

Um importante acordo de cooperação tecnológica entre Estados Unidos e Reino Unido, que prometia avanços nas áreas de inteligência artificial (IA) e computação quântica, está oficialmente em pausa. O governo americano, liderado na época pelo presidente Donald Trump, decidiu suspender o que era chamado de “Tech Prosperity Deal”, alegando que Londres não cumpriu os compromissos em negociações comerciais mais amplas. Enquanto isso, o Reino Unido, sob o gabinete do primeiro-ministro Keir Starmer, insiste que as conversas para reativar o pacto continuam.

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O acordo de tecnologia havia sido anunciado como um marco histórico durante uma visita do presidente americano ao Reino Unido, em setembro do ano passado. Ele previa uma parceria estratégica para IA, tecnologias quânticas e até energia nuclear avançada. A ideia era não só fomentar a troca de conhecimento, mas também impulsionar a colaboração entre empresas e centros de pesquisa dos dois países, prometendo um salto significativo para ambos os lados.

Por que o acordo foi engavetado?

O problema, porém, começou quando Washington decidiu segurar o avanço do pacto. A principal justificativa americana é que o Reino Unido não fez o progresso esperado em um outro acordo, mais abrangente, chamado “Economic Prosperity Deal”. Este detalhe, pouco comentado no início, agora é o centro da discussão.

A verdade é que o “Tech Prosperity Deal” foi assinado como um memorando de entendimento, um tipo de acordo que não tem força de lei imediata. O próprio texto deixava claro que ele só começaria a valer se houvesse “avanços de verdade” no pacto comercial maior, assinado meses antes. E, segundo as autoridades americanas, esses avanços simplesmente não aconteceram.

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As diferenças entre os dois países se concentram em dois pontos sensíveis. Primeiro, o Reino Unido tem um imposto sobre serviços digitais que afeta principalmente as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Segundo, as regras britânicas de segurança alimentar limitam a entrada de produtos agrícolas americanos no mercado do Reino Unido. Washington, então, decidiu usar o acordo tecnológico como uma forma de pressionar Londres a ceder nessas questões comerciais.

Londres tenta manter a porta aberta

Do lado britânico, o esforço é para não dar a entender que o acordo morreu. O governo do Reino Unido afirma que as negociações continuam “ativas” em várias frentes e insiste que o pacto tecnológico ainda é um objetivo possível. Eles tentam ganhar tempo e evitar uma ruptura.

Essa esperança é um pouco reforçada por sinais que vêm da própria Casa Branca. Michael Kratsios, um dos principais conselheiros científicos do governo americano, já disse que os Estados Unidos esperam retomar o trabalho com o Reino Unido assim que houver progresso no acordo econômico. Ou seja, a porta não foi fechada de vez.

É importante destacar que, apesar do impasse entre os governos, os investimentos de empresas privadas no Reino Unido continuam. Gigantes como Google, Microsoft e Nvidia já prometeram mais de 40 bilhões de dólares (cerca de 218 bilhões de reais) em projetos ligados a inteligência artificial e centros de dados no país. Por enquanto, esses planos das empresas não dependem diretamente do avanço imediato do acordo entre os governos.

Um jogo maior de poder e comércio

Para muitos analistas britânicos, essa situação é mais uma questão política do que um problema sem solução. É uma tática de pressão dentro de um cenário de negociações muito maiores. E esse cenário fica ainda mais complicado quando olhamos para o contexto internacional. Os Estados Unidos, por exemplo, também têm endurecido o discurso com a União Europeia, ameaçando punir empresas por regras digitais que consideram “discriminatórias”.

Nesse grande tabuleiro global, o acordo com o Reino Unido vai muito além da tecnologia. Ele reflete uma disputa maior por comércio, por regras de mercado e por poder econômico no mundo. A expectativa é que as negociações continuem, mas a resolução do impasse tecnológico dependerá de como os dois países vão conseguir equilibrar seus interesses comerciais e políticos.

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