A Amazon demitiu cerca de 30 mil funcionários nos últimos quatro meses, mas ao mesmo tempo está investindo bilhões em Inteligência Artificial (IA). Para os trabalhadores que ficaram, a novidade parece ter se tornado um problema: eles afirmam que a pressão para usar as novas ferramentas aumentou a carga de trabalho e a vigilância.
A promessa de que a IA tornaria tudo mais rápido não está se cumprindo, segundo relatos. Uma desenvolvedora de software contou que, em vez de escrever códigos, agora passa a maior parte do tempo corrigindo os erros gerados por um sistema de IA da própria empresa. Poucos dias depois de dar o depoimento, ela foi demitida.
A desconfiança com a eficiência da tecnologia é grande. Uma engenheira com mais de uma década na Amazon disse que as ferramentas de IA só funcionam direito em cerca de "uma a cada três tentativas". Mesmo quando acertam, o resultado precisa ser revisado e discutido com outros colegas, o que pode atrasar o processo.
O uso forçado dessas novas tecnologias já teria causado até problemas sérios. A imprensa internacional noticiou que a Amazon sofreu pelo menos duas grandes falhas em seus sistemas ligadas a ferramentas de IA. Em um dos casos, um sistema voltado para clientes ficou fora do ar por 13 horas.
Além de terem que lidar com códigos defeituosos e revisar o trabalho da máquina, os funcionários sentem que estão sendo mais vigiados. A implementação da IA veio acompanhada de um monitoramento maior sobre o uso das ferramentas, aumentando a pressão no ambiente de trabalho.
Procurada, a Amazon afirmou que a maioria de suas equipes relata que a IA tem gerado valor no dia a dia. A empresa destacou que possui centenas de milhares de funcionários e que as experiências podem variar, mas os depoimentos indicam uma crescente insatisfação interna.







