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Alerta máximo: governo federal eleva peixe-boi-marinho ao nível mais crítico de extinção no Brasil

Portaria federal recoloca o mamífero na categoria mais severa da lista de ameaças, doze anos depois de uma reclassificação que reduziu a urgência nas políticas de conservação.

Redação ChicoSabeTudo
16 de julho, 2026 · 06:41 3 min de leitura
Peixe-boi-marinho nadando em águas costeiras do Nordeste brasileiro
Peixe-boi-marinho nadando em águas costeiras do Nordeste brasileiro

O peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) voltou a figurar no patamar mais alto de risco de extinção no Brasil. A mudança foi oficializada pela Portaria nº 1.704/2026 do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, que atualizou a Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção e reconduziu o mamífero aquático à categoria "Criticamente em Perigo" (CR) — o grau máximo antes da extinção na natureza.

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A portaria foi publicada no Diário Oficial da União em 17 de junho de 2026. A decisão tem reflexo direto em toda a faixa litorânea do Nordeste brasileiro, incluindo a Bahia, onde o Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho mantém uma unidade de apoio em Mangue Seco — exatamente uma das áreas de vida do peixe-boi Astro, o indivíduo mais monitorado da espécie no país.

Segundo a Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA), Astro transita livremente pela faixa costeira entre o estuário do Rio Vaza-Barris, em Sergipe, e o litoral norte da Bahia, usando a região para descanso, alimentação e ingestão de água com baixa salinidade. Em fevereiro de 2026, o animal sofreu ferimentos graves após ser atingido pela hélice de uma embarcação — o acidente mais sério já registrado em seu histórico de monitoramento.

A FMA explica que a nova classificação não representa uma piora repentina do quadro, mas sim um acerto científico tardio. O peixe-boi-marinho permaneceu na categoria "Criticamente em Perigo" por cerca de 25 anos, mas em 2014 foi rebaixado para "Em Perigo" (EN), o que diminuiu a prioridade da espécie nas políticas públicas de conservação. Pesquisadores da área publicaram um estudo utilizando a metodologia da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e concluíram que a reclassificação de 2014 não refletia a realidade de campo. A nova portaria incorpora esse entendimento ao marco legal.

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A caça intensiva praticada desde o período colonial e a degradação progressiva dos ambientes costeiros reduziram drasticamente a população da espécie. O peixe-boi-marinho chegou a ser considerado extinto em trechos do litoral da Bahia e de Sergipe. A reintrodução de Astro, em 1998, pelo Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho, tornou-se um dos primeiros casos bem-sucedidos de reintrodução da espécie no Brasil e ajudou a retomar a presença do animal numa região onde havia desaparecido.

Segundo informações divulgadas pela FMA, estima-se que existam cerca de 1.100 peixes-bois-marinhos no litoral nordestino — número que abrange apenas as áreas entre Alagoas e Piauí onde foram realizados censos aéreos. Entre as principais ameaças ao animal estão a perda de estuários e manguezais, a captura acidental em redes de pesca, a poluição e as colisões com embarcações.

O Projeto Viva o Peixe-Boi-Marinho é desenvolvido pela Fundação Mamíferos Aquáticos desde 2013, com patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e atua nos estados do Nordeste e no Amapá. A FMA, criada em 1989, realiza pesquisa, monitoramento e educação ambiental voltados à conservação da espécie. O projeto conta com estruturas de apoio em Recife, Aracaju e Mangue Seco (BA), além de uma base executora na APA da Barra do Rio Mamanguape, na Paraíba.

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A nova portaria reforça as restrições legais sobre captura, transporte e manejo de espécies classificadas em situação crítica. Para pesquisadores e organizações de conservação, o reconhecimento formal é um passo necessário para que os recursos públicos e as políticas ambientais voltem a tratar o peixe-boi-marinho com a urgência que a situação exige há décadas.

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