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Saúde

UFPR avança em tecnologia que pode salvar jumentos na Bahia

Pesquisadores da UFPR avançam em tecnologia inovadora para produzir colágeno de jumento sem abate, oferecendo esperança aos animais ameaçados na Bahia.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
20 de janeiro, 2026 · 00:28 2 min de leitura
Foto ilustrativa: Divulgação / UFPR
Foto ilustrativa: Divulgação / UFPR

A população de jumentos no Brasil enfrenta uma crise silenciosa, mas alarmante. Dados da FAO e do IBGE mostram que, em menos de 30 anos, entre 1996 e 2024, o número desses animais despencou 94%. No Nordeste, onde o jumento é um símbolo cultural e de resistência, restam apenas seis para cada cem que existiam há três décadas. Essa queda drástica está ligada, em grande parte, à demanda pela gelatina ejiao, um produto da medicina tradicional chinesa, cuja extração da pele dos jumentos alimenta um mercado bilionário.

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Em meio a esse cenário preocupante, uma luz de esperança surge do Laboratório de Zootecnia Celular da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Pesquisadores da instituição estão desenvolvendo uma tecnologia inovadora que promete pôr fim ao abate desses animais, especialmente nas duas unidades industriais que operam no interior da Bahia e em outras regiões do Nordeste.

Jumentos da Bahia: do desespero à esperança

A situação dos jumentos na Bahia tem sido motivo de grande indignação. Especialistas e pesquisadores já descreveram os locais de abate como "verdadeiros campos de concentração", apontando que a atividade é puramente extrativista e gera pouco retorno econômico para o país. É nesse contexto de urgência que a pesquisa da UFPR ganha ainda mais relevância.

O foco do projeto é a produção do ejiao, uma gelatina altamente valorizada pela medicina tradicional e pela indústria de beleza na China, que movimenta cerca de US$ 1,9 bilhão anualmente. O grande diferencial da pesquisa da UFPR é que ela busca criar esse colágeno sem a necessidade de sacrificar os animais. A técnica envolve a fermentação de precisão, um método que dispensa o sofrimento e a morte dos jumentos.

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“Do ponto de vista produtivo, é muito mais eficiente investir em fermentação de precisão do que em fazendas de jumentos. Em um galpão com biorreatores, é possível produzir uma quantidade muito maior de proteína com menos insumos”, explica Carla Molento, coordenadora do projeto na UFPR.

Avanço científico e futuro sustentável

O trabalho no Laboratório de Zootecnia Celular da UFPR já concluiu as etapas laboratoriais mais complexas, como o sequenciamento e a preparação do DNA. Agora, a equipe de pesquisadores entra na fase de viabilidade técnica, que é crucial para testar a aplicabilidade da inovação em larga escala.

Para dar o próximo passo e escalar a produção de colágeno de jumento por meio da fermentação de precisão, os cientistas buscam um investimento de US$ 2 milhões. A meta é ambiciosa: apresentar, até dezembro de 2026, a "prova de conceito" do projeto, produzindo as primeiras miligramas de colágeno de forma integralmente laboratorial. Se essa tecnologia for bem-sucedida, ela representará um marco não só para a conservação dos jumentos, mas também para o desenvolvimento de soluções sustentáveis na produção de insumos de alto valor, sem depender da exploração animal.

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