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Saúde

Terapia Genética Avançada Traz Remissão Inédita em Leucemia Grave

Cientistas desenvolveram uma terapia genética revolucionária que reprograma células para combater a leucemia. Pacientes com casos graves alcançam remissão.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Saúde
10 de dezembro, 2025 · 19:46 3 min de leitura
Tratamento experimental de leucemia alcança remissão em 7 de 11 pacientes (Imagem: Creativa Images / Shutterstock)
Tratamento experimental de leucemia alcança remissão em 7 de 11 pacientes (Imagem: Creativa Images / Shutterstock)

Uma nova luz surge para pacientes com leucemia que já haviam esgotado todas as opções de tratamento. Pesquisadores do Great Ormond Street Hospital e da University College London (UCL) anunciaram um avanço extraordinário: uma terapia genética que reprograma as células de defesa do corpo para combater o câncer de forma inédita. Os resultados, publicados na renomada revista New England Journal of Medicine, mostram que sete de cada onze pacientes tratados permanecem sem a doença.

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Este tratamento é especialmente significativo para casos de leucemia linfoblástica aguda de células T, um tipo agressivo de câncer que avança rapidamente e muitas vezes não responde aos tratamentos convencionais, como quimioterapia e transplante de medula óssea. Antes de receberem esta nova terapia experimental, todos os participantes do estudo já tinham passado por esses procedimentos sem sucesso, com poucos caminhos restantes além dos cuidados paliativos.

Alyssa, a pioneira que agora vive uma vida normal

Um dos exemplos mais inspiradores é o de Alyssa Tapley. Aos 16 anos, ela foi a primeira paciente a receber a nova técnica. Seu sistema imunológico foi completamente “refeito” e, hoje, Alyssa leva uma vida normal, fazendo apenas exames anuais. O câncer, que antes ameaçava sua vida, está indetectável. Hematologistas envolvidos no estudo afirmam que essa abordagem abre caminhos para terapias mais eficazes e acessíveis, oferecendo esperança real a pacientes que antes tinham chances mínimas de sobrevivência.

Como funciona a “edição de bases”

A nova abordagem revolucionária utiliza uma técnica chamada “edição de bases”. Pense no DNA como um livro de instruções: essa técnica consegue mudar uma única “letra” do DNA de forma extremamente precisa. As células T, que são nossas defesas naturais, são modificadas em laboratório para se tornarem “medicamentos vivos” contra o câncer. O processo envolve quatro passos principais:

  • Primeiro, desativar um mecanismo que faria as próprias células modificadas atacarem o corpo do paciente.
  • Depois, remover um marcador chamado CD7, que, ironicamente, impediria a própria terapia de funcionar corretamente e poderia levar à sua autodestruição.
  • Em seguida, criar uma “armadura” para proteger essas células especiais dos efeitos da quimioterapia, caso ela precise ser usada.
  • Por último, programar as células para atacar especificamente qualquer célula que tenha o marcador CD7 – que é o caso das células de leucemia neste tipo de câncer.
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Depois que as células modificadas são infundidas no paciente, há um período de observação. Se não houver sinal de câncer após quatro semanas, um transplante de medula óssea pode ser realizado para reconstruir o sistema imunológico. É um processo complexo, com riscos, principalmente de infecções enquanto o sistema de defesa do corpo está sendo “reiniciado”.

Resultados que surpreendem e dão esperança

Apesar dos desafios, os resultados têm sido surpreendentes. Nove dos onze pacientes alcançaram uma remissão profunda da doença. E o mais animador: sete deles permanecem sem sinais de leucemia por períodos que vão de três meses a três anos. Essa durabilidade da remissão em casos tão graves representa um avanço monumental.

Embora ainda seja experimental, essa terapia genética abre um novo capítulo na luta contra a leucemia e outras formas de câncer. Ela oferece uma perspectiva de vida para aqueles que, até agora, enfrentavam um prognóstico desfavorável, reacendendo a esperança para muitos pacientes e suas famílias ao redor do mundo.

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