Uma nova esperança no tratamento do câncer está transformando o próprio sangue do paciente em um exército contra a doença. Chamada de terapia CAR-T, a técnica já apresenta resultados impressionantes em alguns tipos de câncer no sangue, até mesmo em pessoas que não respondiam mais a outros tratamentos.
O processo parece coisa de filme de ficção científica, mas é real. Os médicos coletam as células de defesa do paciente, como se fosse uma doação de sangue. Em laboratório, essas células são "reprogramadas" geneticamente para aprender a identificar e atacar as células do tumor.
Depois de modificadas e multiplicadas, essas células de defesa turbinadas são devolvidas ao corpo do paciente. A grande diferença é que elas se tornam uma espécie de 'remédio vivo', que continua agindo e se multiplicando no organismo por anos, vigiando para que a doença não volte.
Segundo o pesquisador Martín Hernán Bonamino, do Instituto Nacional de Câncer (INCA), uma única aplicação pode ser suficiente. Por isso, a terapia é vista como uma das maiores inovações da medicina atual no combate ao câncer.
No Brasil, a Anvisa já aprovou o tratamento para alguns tipos de leucemia, linfoma e mieloma múltiplo. A tecnologia representa uma nova era para pacientes com essas doenças, oferecendo uma chance real de cura onde antes havia poucas opções.
Apesar dos resultados animadores, o acesso ainda é um desafio. Por ser um tratamento feito sob medida para cada pessoa, o processo é complexo e tem um custo muito elevado, exigindo uma estrutura altamente especializada.







