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Saúde

Salvador é a capital com mais consumo abusivo de álcool do país — e a Bahia tenta reagir

Com quase 29% dos moradores bebendo de forma excessiva, a capital baiana está no topo de um ranking preocupante; projeto civil já leva suporte a cidades do interior, incluindo Juazeiro

Redação ChicoSabeTudo
05 de julho, 2026 · 05:29 3 min de leitura

O álcool é a droga mais consumida no Brasil — e a Bahia ocupa uma posição incômoda nesse cenário. Salvador lidera o ranking de consumo abusivo de álcool entre as capitais brasileiras, com 28,9% dos soteropolitanos afirmando consumir bebidas alcoólicas de forma abusiva, segundo dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA). O percentual é quase o dobro do registrado em Natal (RN), com 15,5%, e Rio Branco (AC), com 15,1%, segundo informações divulgadas pelo jornal A Tarde.

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Entre os homens, Salvador também ocupa o primeiro lugar: 37,5% relatam consumo abusivo, à frente de Maceió (34,2%) e Cuiabá e Teresina, ambas com 33%. Já entre as mulheres, a capital baiana também lidera, com 21,9%, seguida por Porto Alegre e o Distrito Federal.

Diante desse quadro, um projeto da sociedade civil atua há três anos no estado com uma abordagem diferente da internação compulsória. Batizado de Horizontes do Cuidado, o programa é executado pela Rede Brasileira de Redução de Danos (Reduc) em parceria com a Plataforma Brasileira de Política de Drogas (PBPD), com recursos de um edital público, segundo a reportagem do A Tarde.

A estratégia adotada é a chamada redução de danos: uma política de saúde que busca iniciar o cuidado com pessoas que abusam de substâncias sem exigir, de saída, que elas parem de usar. "Nem sempre dá para exigir a abstinência das pessoas que fazem uso de substâncias, mas sempre dá para garantir saúde, informação e respeito", resume a presidente do Conselho Municipal sobre Drogas de Juazeiro, Elisa Sarmento, sobre a lógica que orienta esse tipo de iniciativa.

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O projeto nasceu a partir de escutas realizadas junto à população nas cinco regiões do país para entender o que era necessário para uma política de redução de danos mais eficaz. Uma das conclusões foi a necessidade de chegar ao interior: o atendimento tende a se concentrar nas capitais e nas cidades maiores, deixando municípios de médio porte sem suporte especializado, conforme relatou a coordenadora do Horizontes do Cuidado, Mariana Feregueti, ao A Tarde.

Em 2025, o projeto atuou em Feira de Santana, Vitória da Conquista e Ilhéus. Neste ano, segundo informações da reportagem, a equipe retornou a Feira de Santana e também foi a Porto Seguro, Juazeiro e Lauro de Freitas, além de manter base em Salvador. A chegada a Juazeiro, no Vale do São Francisco, acontece num momento em que o município também realizou, em maio de 2026, sua própria Semana de Redução de Danos. A Prefeitura de Juazeiro encerrou a semana com o seminário "Políticas Públicas e Redução de Danos: Caminhos para a Promoção da Saúde e da Cidadania", realizado no Teatro Luiz Galvão, reunindo profissionais da saúde, educação, segurança pública e assistência social.

A equipe do Horizontes do Cuidado é formada por 11 pessoas, incluindo psicóloga, assistente social e educadora jurídica. O trabalho envolve visitas a serviços como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e o programa Bahia Pela Paz, identificando fragilidades e oferecendo capacitação aos profissionais locais, de acordo com a coordenadora do projeto.

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Além do álcool, o projeto tem monitorado o avanço de outras substâncias. Segundo Mariana Feregueti, há um crescimento do uso do K9 — droga sintética com alto poder destrutivo — no Centro de Salvador, o que representa um novo alerta para a saúde pública no estado. O financiamento do programa vem do governo federal, via Superintendência de Políticas Sobre Drogas e Acolhimento a Vulneráveis (Suprad), ligada à Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Bahia (Seades).

O consumo abusivo de álcool no Brasil apresentou aumento nos últimos anos, passando de 18,1% para 20,8% em 2023, segundo dados do CISA. O cenário reforça a urgência de políticas que cheguem além das capitais — e que tratem o problema sem deixar as pessoas para trás.

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